Encerramento: João Pedro

Quando uma família tem um integrante com deficiência física ou sensorial, acaba buscando o maior número de informações a respeito da deficiência e de como superar as limitações impostas. Nenhum de nós do grupo tem parentes deficientes. Simplesmente escolhemos tratar da realidade das pessoas com deficiência na cidade de São Paulo porque pareceu importante e interessante.

Aprendemos muito. Foram muitas informações. Optamos por um enfoque mais objetivo, pois se a abordagem fosse mais emotiva, os comoventes casos de exclusão, inclusão e superação não teriam fim.

Apesar da objetividade, é claro que ficamos impressionados (e comovidos) com a história de superação da Mara Gabrili, do Chicão e da Gisele, a bailarina do Instituto Fernanda Bianchini. De tudo isso, ficou a certeza de que todo ser humano, seja qual for a sua deficiência, tem que buscar a sua realização. E de que o potencial para isso é imenso, cabendo ao poder público e à sociedade propiciar meios para o desenvolvimento desse potencial. Enfim, o contato com essa realidade das pessoas com deficiência, tão distante e desconhecida para nós do grupo, fez com que saíssemos da nossa zona de conforto e, com certeza, ampliou a nossa visão do mundo.

Por coincidência, ontem saiu uma matéria na Folha de São Paulo sobre o documentário que o Alexandre Peralta fez a respeito da trajetória de duas mulheres cegas que dançam na Associação Fernanda Bianchini. E por coincidência (não tão coincidência assim), logo no início da matéria da Folha o leitor é alertado para o fato de que “À primeira vista, o documentário ‘Olhando para as Estrelas’ insinua se restringir aos limites da comiseração, sentimento que não costuma resultar em bom cinema” (Link para a matéria da Folha).

Ainda segundo a crítica do documentário, “Na TV aberta, a emoção tende a ser ligeira e pragmática: as lágrimas jorram na tela para arrancar o choro do telespectador. O jovem diretor Alexandre Peralta lança mão desse recurso em alguns momentos, o que evidentemente prejudica o documentário”. Foi exatamente disso que buscamos fugir no nosso mini-documentário. Durante o desenvolvimento do nosso projeto, procuramos conhecer a realidade das pessoas com deficiência, fugindo da comiseração e da pena, daí o enfoque que utilizamos, bem objetivo e sem sentimentalismo.

Fomos fiéis ao nosso propósito e acredito que todos do grupo temos a sensação de dever cumprido.

 

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Encerramento Gabriel

O Móbile na Metrópole sempre foi algo muito comentado pelos alunos do 2º ano do médio, sempre falando positivamente da maneira com que se relacionavam com a cidade. Lembro que me indagava ” mas vocês viajaram para São Paulo, porque que acham isso tão legal?” Ao fazer a tão esperada viagem do MNM consegui entender o porque os alunos ficavam tão animados de conhecerem sua própria cidade, já que o espaço frequentado por nós na cidade é tão pequeno e tão repetitivo!

Mas mesmo assim, penso que a viagem foi só o começo para eu entender a importância desse projeto, pois além de sair da tão falada “bolha”, pude perceber como a cidade de São Paulo é inacessível e feita apenas para uma parte da população, o que me fez me interessar de verdade com o meu tema e meu projeto!

Hoje o temas dos deficientes se tornou algo muito importante para mim, pelo tanto que li e procurei sobre isso, e algo que não deixarei de me interessar e pesquisar mesmo com o encerramento do projeto. Além de que penso que o jeito de me relacionar com a minha cidade também mudou, algo que eu não conseguia entender antes do projeto.

Encerramento: Lorena

Pediram pra escrever um post de encerramento. Por mim tudo bem. Nenhum problema! Engano meu. Estou sentada olhando pro computador faz tanto tempo que minhas pernas já estão doendo. Tudo em vão, o que escrevi até agora é o que chamam de mais clichê na literatura: escrever sobre a falta de assunto. No meu caso, sobre a falta das reflexões que já deveriam estar preenchendo esse texto.

“Post de encerramento do blog (post individual), colocando os questionamentos e reflexões sobre o tema dentro da cidade de SP”

Foi o que eu escrevi no meu celular, com a finalidade específica de não me esquecer desse post. Bom, esquecer não esqueci. A parte de colocar os meus questionamentos sobre o tema, já é outra história. Deveria ser fácil, certo? Estou estudando o dito tema desde o começo do ano. Em tese, deveria ter uma enxurrada de ideias para colocar aqui. Talvez esse seja o problema: não conseguir colocar tudo o que eu tenho que falar em apenas um post. Ou não conseguir pensar em um ponto de partida.

Vejamos do começo, então. Em meados de março, quando primeito tive contato com o tema escolhido do nosso projeto, não me envolvi tanto (sendo o mais sincera possível). Quer dizer, a realidade das pessoas com deficiência não me despertou um interesse repentino, principalmente porque não está atrelada à minha realidade.

Deve ter sido durante as entrevistas que realmente me apeguei a esse tema. Ouvir os entrevistados falando sobre a vida deles, quais eram os desafios rotineiros que enfrentavam na nossa cidade, me aproximou do que de fato era o nosso MNM. E porque? Talvez porque nunca tinha ouvido alguém falar sobre o assunto.

Você, leitor, também nunca deve ter pensado em como funciona a vida de uma pessoa com deficiência. Então decidi compartilhar uma história que a Gisele, bailarina da Associação Fernanda Bianchini, nos contou. Começa com ela caminhando na rua. Ela para no farol e espera. Uma mulher se aproxima e lhe pergunta se precisa de ajuda para atravessar e, como toda ajuda é bem-vinda, ela dá a mão para a desconhecida. Elas colocam os pés na rua. Na metade do percurso, o farol abre, a mulher solta a mão e sai correndo para o outro lado. E ela fica ali, sem saber o que fazer, com os carros e as buzinas avançando.

É claro que a acessibilidade de SP peca na qualidade. As calçadas parecendo campo de batalha, as escadarias infinitas, e por ai vai. Mas a gente também peca. Às vezes temos que parar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o que acontece em nossa volta. Pensar no outro, que está ali, e a gente nem percebe. É o que chamamos de inclusão: o ato de incluir e acrescentar. Socialmente, o ato de igualdade entre os diferentes indivíduos. E é nisso, sobretudo, que devemos investir.

O projeto está no fim e, bem, não posso falar que foi tudo mil maravilhas. Tiveram momentos em que o cansaço, o estresse e o desapontamento me consumiam tanto que não conseguia nem ouvir “MNM”. Outros momentos, em contramão, são daqueles de querer guardar numa caixinha e nunca esquecer. Mas a memória, querendo ou não, às vezes falha e essas lembranças vão ficando cada vez mais para trás, assim como o projeto. Às inteções verdadeiras dos criadores e percussores disso tudo, tenho que agradecer. Me fizeram olhar o mundo de um jeito, mesmo que um pouco, diferente.

– Lorena

Encerramento: Giovana

Chegou ao fim esse projeto tão longo, cansativo e, ao mesmo tempo, empolgante, que foi o Móbile na Metrópole.

No começo do ano, quando decidimos falar sobre a realidade das pessoas com deficiência em São Paulo, sabíamos pouquíssimo a respeito desse tema. Ao longo de nossas pesquisas, comecei a me interessar muito pelo trabalho.

Foi diferente de tudo que já havíamos feito na escola. Nosso tema, também. Começamos a pesquisar do zero, fomos nos envolvendo aos poucos com essa realidade.

As entrevistas me marcaram muito. Tudo o que nos foi dito ficou na minha cabeça até hoje, ressurgindo em um momento ou outro, e realmente me fez pensar. O envolvimento que tivemos com os entrevistados foi inesperado e magnífico: desde uma deputada federal muito aberta e simpática, até o Chicão que esbanja felicidade, sem deixar de lado a Cia de Ballet de Cegos, onde fizemos uma atividade de interação com as bailarinas que me tocou!

O grupo e o projeto em si também foram ótimos, mas acho que nada teria sido igual com outro tema. Nunca nos cansamos de tratar das pessoas com deficiência, realidade que me intriga até hoje e sei que continuarei procurando saber cada vez mais sobre ela. Até o ENEM nos mostrou que é algo sobre o que devemos falar mais, não é mesmo?

Enfim, acredito que o nosso tema foi ótimo e espero que tenhamos conseguido instigar a curiosidade de mais pessoas sobre essa realidade!

A genialidade de Beethoven

Primeiro de tudo, e mais importante: assista ao vídeo, nem que seja por apenas um minutinho.

“Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante”, referiu-se o romântico Johannes Brahms à Nona Sinfonia. Sim, estamos falando de Beethoven. O compositor alemão, como um dos mais influentes da música clássica, é também reconhecido como personagem de grande importância durante a transição do Classicismo para o Romantismo. Ao longo se sua vida, os estilos de música do gênio variaram, seguindo os seus períodos de altos e baixos.

Suas obras costumam ser divididas pelos estudiosos em três fases. A primeira iniciou-se em 1792, quando Beethoven se mudou para Viena e, já famoso por ser um ótimo pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as três sonatas para piano Op.2. Foi no ano de 1796,  quando o compositor começou a queixar-se de zumbidos, que os primeiros sinais de surdez surgiram. Porém, apenas em 1801, ano que marca o início de sua segunda fase,  documentou evidências de que estaria ficando surdo. Essa fase é marcada por uma crise e desespero sobre a situação. É nela em que Beethoven escreve o “Testamento de Heilingenstadt”.

“Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!”

Para o compositor clássico, o suicídio era um pensamento recorrente como forma de fuga em relação à surdez e a dificuldade que teria em compor. Entretanto, deixou de lado a ideia, pois começou a encarar a música como sua missão de vida.

“Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim.”

Em 1806, Ludwig van Beethoven finalmente revelou a deficiência nos esboços do Quarteto Número 9: “Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!”. Os especialistas explicam que, apesar de progressivamente ter problemas de audição, o artista tinha memória auditiva para compôr suas músicas.

É nesse sentido que, segundo o filósofo existencialista Sartre, “O homem nada é além do que ele se faz”. Podemos, então, nos tornar aquilo que escolhermos fazer de nós mesmos. Em outras palavras, Devemos definir a nós mesmos por meio de nossas escolhas. O compositor, apesar da descoberta da deficiência, escolheu continuar a escrever e tocar porque, afinal, a música era sua paixão e, sobretudo, o que o definia. A perda gradual da audição, apesar de no começo ter sido causa de uma crise criativa, não representou um empecilho, posteriormente, para a escrita de músicas que são consideradas, atualmente, obras-primas.

A fase final de seu trabalho refere-se ao período entre 1814 e 1827, ano de sua morte. Foi nesse meio tempo que, marcado por composições com notas altas, Beethoven e o seu vigor renovado, criaram as suas maiores obras. A maior delas é a Nona Sinfonia, a mais reconhecida e que foi apresentada, pela primeira vez, em 1824. Alguns contam que o gênio musical continuou a sinfonia mesmo depois de ela ter acabado, sem ouvir os aplausos atrás.

– Lorena

AINDA SOBRE O ENEM

Pois é. A dificuldade que eu tive na redação do ENEM não foi só minha. A folha publicou em 07/11/2017 que “Redação do ENEM provocou alunos com tema ignorado até pelo governo” (Link folha). Se nem o Ministério da Educação explica a diminuição de matrículas de surdos apresentada em gráfico na prova, como os candidatos podem justificá-la? E pior, será que as pessoas que vão corrigir a prova têm conhecimento suficiente para avaliar os textos?

Ontem a Folha tentou traçar hipóteses para a diminuição retratada no gráfico apresentado na prova do ENEM (Outro link folha): a diminuição de crianças no Brasil em idade escolar como um todo e a diminuição do número de pessoas que não eram surdas e perdem a audição. Mas todas essas informações são bastante específicas e não acredito que são do conhecimento da grande maioria que presta o ENEM, possibilitando uma redação mais consistente.

Hoje novamente o assunto foi abordado na Folha, agora na sessão de “Tendências e Debates”, onde dois conhecedores do tema responderam à questão: “O respeito aos direitos humanos deve ser critério para avaliar a redação do ENEM?” (Terceiro link folha). Enfim, parece que o assunto ainda vai render muito. De qualquer forma, de tudo isso ainda acho que a razão está com o Jairo Marques, que afirmou, conforme postei em 06/11/2017, que pensar a realidade das pessoas com deficiência não é bom só para que presta o ENEM, mas para a vida.

– João Pedro

5 dicas para a turma de 2018

Oi pessoal! Viemos, através deste post, deixar algumas dicas para a turma que realizará o projeto Móbile na Metrópole em 2018:

  1. Escolher bem seu grupo: isso é essencial. Pensem que vocês passarão grande parte do ano de vocês ao lado de outras 3 ou 4 pessoas, em um processo exaustivo de várias etapas. É normal que surjam algumas discussões, mas apenas em uma quantidade saudável e produtiva, caso contrário, todos do grupo estarão submetidos a mais um estresse, o qual pode ser evitado. Além disso, é importante lembrar que escolher um bom grupo não significa estar cercado de amigos, pode até ser o oposto. Como passamos muito tempo livre com nossos amigos, adicionar a isso todo o tempo gasto com o Móbile na Metrópole pode desgastar uma amizade, ou fortalecê-la, isso depende de cada um. No nosso caso, como já falamos aqui no blog muitas vezes, não nos conhecíamos bem (com exceção da Lorena e da Giovana) e, no final das contas, conseguimos formar um grupo que funcionou perfeitamente.
  2. Não fazer as coisas em cima da hora: sabemos que isso parece óbvio, mas com tantas coisas que precisamos fazer para a escola e, principalmente, para este projeto, é algo bem complicado. Por isso, recomendamos que vocês tentem ao máximo fazer tudo antes dos prazos, pois, mesmo assim, sempre sobrarão outras tarefas para fazer em cima da hora, mas pelo menos não serão tantas. Isso ajudará tanto na qualidade do que vocês produzirão como na organização de vocês.
  3. Dialogar com os professores: isso pode parecer difícil para alguns grupos, como o nosso, formados por pessoas tímidas, mas, mesmo assim, se nós conseguimos, vocês conseguirão. O(a) professor(a) que corrige o blog é o que mais entrará em contato com o projeto de vocês, então é importante marcar alguns encontros com ele(a) para saber o que melhorar e o que manter. Também é essencial entender a correção tanto do blog como dos vídeos, e até mesmo questioná-la.
  4. Escolher um bom tema: isso, na verdade, é algo muito subjetivo. Não queremos avaliar se um tema é bom ou não com base em algum juízo de valor, mas acreditamos que o grupo deve pensar se o tema escolhido não será enjoativo e se vocês têm interesse em pesquisar sobre isso durante o ano inteiro. Também não pode-se esquecer que vocês precisarão conseguir todas as imagens e entrevistas por conta própria, nesse sentido, o tema escolhido deve ser possível.
  5. O blog: desde o começo, não deixem o blog de lado. Cometemos um erro ao, no primeiro bimestre, criar o blog e abandoná-lo, sem formatação adequada ou posts extras. Por isso, sejam engajados no blog desde o início, porque não é algo tão exaustivo de se fazer e, caso isso seja muito importante para você, vale nota.

Por hoje é isso, esperamos ter ajudado vocês com essas dicas para o Móbile na Metrópole, já que, por mais envolvidos que vocês estejam, esse projeto lhes dará muito trabalho e demandará grande esforço.

As saias mexicanas de Frida Kahlo e a Vênus Manca

Você, em algum momento da sua vida, já ouviu falar da Frida Kahlo. A pintora mexicana, conhecida por seus autorretratos de cunho surrealista, é até hoje um ícone da independência feminina. Abraçava sua individualidade e sua personalidade fortemente, desviando do que era conhecido como a beleza padrão da época. Porém, o interessante é que nem mesmo Frida conseguiu combater totalmente  os preconceitos relacionados à estética feminina e, sobretudo, à deficiência.

Em 1913, com seis anos de idade, contraiu poliomielite. As marcas da doença foram deixadas como uma lesão no seu pé direito, que passou a ser mais curto e mais fino que o esquerdo. Como consequência, a menina ganhou, na escola, o apelido de Frida pata de palo (Frida perna de pau). Para encobrir a sequela da doença, desde cedo começou a usar calças de modo que suas pernas ficassem escondidas. Posteriormente, passou a se vestir com as longas e exóticas saias mexicanas, que se tornaram símbolos do estilo tehuana, presente em suas pinturas coloridas e cheia de flores.

As saias ornadas e rodadas, nesse sentido, foram utilizadas por Frida como um meio de fugir da hostilidade contra a deficiência. À frente da sua época, a pintora deve ter que lidar com o constante preconceito às diferenças.

Esse mesmo tipo de intolerância é presente no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, no qual o personagem principal, depois de morto, resolve se dedicar à tarefa de narrar sua vida. Brás Cubas, durante o romance de Machado de Assis, relata seus relacionamentos amorosos. Quando conhece Eugênia, filha de D. Eusébia, se encanta com sua beleza. Porém, ao descobrir que a menina de 15 anos tinha um deficiência nos membros inferiores, sente piedade de si mesmo por ter se apaixonado por ela.

“O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárneo. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?”

O narrador, assim, prende-se à ideia de que ser “bonita e coxa” é uma grande ironia da natureza. Essa combinação, na lógica de Brás Cubas, não deveria existir.

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Mais à frente na narrativa, o protagonista refere-se à amada como “Vênus Manca”. Vênus, sendo o nome da deusa greco-romana do Amor e da Beleza, representa a beleza de Eugênia. Manca, por outro lado, representa a deficiência que a menina tinha. Ou seja, tal nome seria a junção da beleza e da deficiência de Eugênia, muito contraditória na visão de Cubas.

Em suma, tanto a pintora icônica Frida Kahlo, quanto a personagem Eugênia do romance realista de Machado de Assis, tiveram que se deparar com situações de hostilidade por conta de suas deficiências na perna. Isso representa, assim, que o preconceito às pessoas com algum tipo de deficiência, sobretudo em relação à associação pouco comum entre beleza feminina e deficiência, sempre foi presente.

– Lorena

ENEM

Estava pensando durante a semana passada em como as pessoas com deficiência motora ou deficiência de sentidos, sejam cegas ou surdas, iriam prestar o ENEM neste ano. E qual não foi a minha surpresa ao ler o tema proposta para a redação: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

Vamos do início. Trabalhamos muito durante o feriado para fazer o “Vídeo Processo”. Domingo, o último dia do feriado prolongado, amanheceu nublado, com uma garoa fina bem desagradável, principalmente para quem teve que esperar a abertura dos portões da Uninove, na Barra Funda, para fazer o ENEM.

A Uninove foi noticiada como o maior local de prova na cidade de São Paulo. E realmente o prédio era enorme. Não vi no meio daquele aglomerado de pessoas cadeirantes ou cegos, mas sei que o prédio contava com instalações para pessoas com necessidades especiais. Além disso, o site do ENEM tinha um vídeo com instruções em LIBRAS.

Quando vi o tema da redação, achei que seria tranquilo, pois afinal estudamos esse assunto durante o ano inteiro. Mas a coisa não foi tão simples assim… Apesar de conhecer as estatísticas de pessoas com deficiência no Brasil, apesar de estar familiarizado com o tema da inclusão das pessoas com deficiência e com a terminologia própria do assunto, fiquei surpreso com o gráfico apresentado nos textos motivadores, segundo o qual o número de pessoas surdas matriculadas na Educação Fundamental, tanto nas classes comuns quanto nas classes especiais, vem diminuindo desde 2012.

Mas a Lorena havia postado em 31/10/2017 que segundo os dados do INEP, órgão ligado ao Ministério da Educação, entre 2005 e 2015 o número de estudantes com deficiência nas escolas comuns brasileiras praticamente sextuplicou, então, qual a razão da diminuição do número de alunos surdos?

Durante a prova de redação, fiquei pensando nas razões do número de alunos surdos não aumentar proporcionalmente ao número de alunos com outros tipos de deficiências. Será que a surdez é uma deficiência menos severa que as outras? Será que as escolas se preocupam mais em atender alunos com deficiências motoras? Será que a contratação de professor que saiba LIBRAS é difícil? Enfim, será que o surdo é o mais invisível no meio desse universo de invisibilidade das pessoas com deficiência?

O tempo estava passando e eu tive que deixar minhas dúvidas de lado para ser bem objetivo: falei da necessidade de políticas públicas para que as escolas tenham infraestrutura para oferecer aos surdos educação de qualidade, com profissionais habilitados e meios tecnológicos adequados, falei da falta de conhecimento a respeito do universo do surdo e da necessidade de inclusão dessas pessoas etc. Não sei se o texto ficou bom, mas como vi no comentário que o Jairo Marques publicou na Folha de São Paulo de hoje, “vale pensar que quem exercita a prática de tentar compreender a realidade do outro, tentando entendê-lo e auxiliá-lo, poderá se dar bem não só no ENEM, mas em todos os exames que pretendam abrir portas de oportunidades durante toda a vida” (Link texto Jairo Marques

– João Pedro