Brasil Para Todos

O “Guia Brasil Para Todos”, escrito conjuntamente por Andrea Schwarz e Jaques Haber, é um roteiro turístico do Brasil para quem possui algum tipo de deficiência. Baseando-se nas pesquisas sobre os avanços da acessibilidade e da infraestrutura da rede turística, o casal construiu um guia com as 10 capitais brasileiras, 139 passeios acessíveis, 106 restaurantes e 92 hotéis adaptados. Já disponibilizado em versão digital, o roteiro indica diversas atrações acessíveis dentro da cidade de São Paulo, entre elas:

Jardim Botânico: No ano em que comemora 80 anos de existência, o Jardim Botânico acaba de inaugurar a remodelação de sua entrada principal, a Alameda Fernando Costa, que recebeu um deck de madeira reflorestada e a regeneração do córrego Pirarungáua, agora exposto a céu aberto. No roteiro de visitação, em trilha de 800 metros de extensão e alguns pequenos aclives resultantes de sua topografia, os visitantes conhecem o Jardim dos Sentidos, uma atração adaptada que oferece experiência sensorial em um espaço com plantas e flores. Seguindo adiante, conhece-se a Trilha da Nascente do Riacho do Ipiranga. Aberta em 2006, e feita de madeira, facilita o acesso de cadeirantes. O parque disponibiliza visitas monitoradas (agendadas) e um carrinho elétrico para pessoas com dificuldade de locomoção. 

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Mercado Municipal: Os quase 13 mil metros quadrados do Mercado Municipal por vezes ficam pequenos para o movimento diário de 14 mil pessoas. Enquanto muita gente vai até lá para passear e degustar o famoso pastel de bacalhau e o generoso sanduíche de mortadela (300g em pão francês), a maioria dos que circulam está ali trabalhando desde muito cedo para oferecer produtos de qualidade a clientes sempre muito exigentes. Não é difícil encontrar grandes chefs da cidade escolhendo pessoalmente ingredientes para suas criações culinárias. O Mercadão oferece acessibilidade ao visitante em cadeira de rodas por meio de rampas e elevadores. A proximidade com a estação Luz do metrô facilita a vida do visitante. 28-Mercado-Municipal_Foto_JoseCordeiro_0011-3.jpgMuseu da Língua Portuguesa: Inaugurado em 2006, o Museu da Língua Portuguesa inovou na forma de apresentar sua exposições ao público. Utilizando criatividade, tecnologia e interatividade com o público, oferece navegação em telas que mostram a origem da língua, sua evolução, as diversas formas de utilização no cotidiano e o seu emprego na literatura. Para o público com deficiência, o prédio oferece acessibilidade em todos os andares, sinalização com piso podotátil e monitores. Estudantes com carteirinha pagam meia-entrada. Professores da rede pública (com holerite e identidade), crianças até 10 anos e adultos a partir de 60 anos não pagam. Aos sábados, a visitação é gratuita. Banheiros adaptados.museu_da_lingua_portuguesa_gov_sao_paulo-1.jpgMuseu de Arte de São Paulo (MASP): O MASP e um dos mais conhecidos cartões postais da cidade de São Paulo. Palco de grandes exposições e manifestações culturais, este espaço, fundado por Assis Chateaubriand, Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, tem em seu acervo obras dos mais renomados artistas da Brasil e Europa, entre os quais estão Volpi, Lasar Segal, Manabu Mabe, Henri Matisse, Claude Monet, Pablo Picasso, Sandro Boticelli e Rembrandt. Para visitar suas diversas salas, pessoas com deficiência tem acesso através de elevadores e rampas.10-18-sao-paulo_av-paulista_voce-viajando.jpgParque do Ibirapuera: O Ibirapuera é o maior e mais frequentado parque de São Paulo. Em seus quase 2 milhões de metros quadrados, cobertos em sua maioria por área verde, recebe cerca de 20 mil pessoas todos os dias. Em domingos ensolarados, o público chega a 130 mil. Toda essa gente vem ao parque em busca de espaço para a prática esportiva, lazer com as crianças e visitas aos seus vários museus. Localizado em área plana, facilita a circulação de cadeirantes.As vias internas são asfaltadas e não há calçadas. O parque infantil está localizado em local gramado. Nas trilhas internas, o terreno é acidentado. Existem amplos espaços para piquenique e local para aluguel de bicicleta (algumas com lugares para duas ou mais pessoas). O projeto arquitetônico das edificações do parque é assinado por Oscar Niemeyer: o Pavilhão Principal, a OCA (espaço para exposições), o Auditório Ibirapuera e o Museu de Arte Moderna (MAM). Banheiros públicos adaptados, com barras de apoio.Ibirapuera-iStock.jpgTeatro Municipal: Construído pelo arquiteto brasileiro Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi, o Teatro Municipal mantém o glamour dos velhos tempos. Prestes a completar 100 anos, sua arquitetura imponente e bom gosto das peças decorativas, no interior das salas, chamam a atenção de todos. Pessoas com deficiência física têm lugares reservados na plateia e é possível fazer visitas monitoradas. Teatro_Municipal_de_São_Paulo_8.jpg– Lorena

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ENEM

Estava pensando durante a semana passada em como as pessoas com deficiência motora ou deficiência de sentidos, sejam cegas ou surdas, iriam prestar o ENEM neste ano. E qual não foi a minha surpresa ao ler o tema proposta para a redação: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

Vamos do início. Trabalhamos muito durante o feriado para fazer o “Vídeo Processo”. Domingo, o último dia do feriado prolongado, amanheceu nublado, com uma garoa fina bem desagradável, principalmente para quem teve que esperar a abertura dos portões da Uninove, na Barra Funda, para fazer o ENEM.

A Uninove foi noticiada como o maior local de prova na cidade de São Paulo. E realmente o prédio era enorme. Não vi no meio daquele aglomerado de pessoas cadeirantes ou cegos, mas sei que o prédio contava com instalações para pessoas com necessidades especiais. Além disso, o site do ENEM tinha um vídeo com instruções em LIBRAS.

Quando vi o tema da redação, achei que seria tranquilo, pois afinal estudamos esse assunto durante o ano inteiro. Mas a coisa não foi tão simples assim… Apesar de conhecer as estatísticas de pessoas com deficiência no Brasil, apesar de estar familiarizado com o tema da inclusão das pessoas com deficiência e com a terminologia própria do assunto, fiquei surpreso com o gráfico apresentado nos textos motivadores, segundo o qual o número de pessoas surdas matriculadas na Educação Fundamental, tanto nas classes comuns quanto nas classes especiais, vem diminuindo desde 2012.

Mas a Lorena havia postado em 31/10/2017 que segundo os dados do INEP, órgão ligado ao Ministério da Educação, entre 2005 e 2015 o número de estudantes com deficiência nas escolas comuns brasileiras praticamente sextuplicou, então, qual a razão da diminuição do número de alunos surdos?

Durante a prova de redação, fiquei pensando nas razões do número de alunos surdos não aumentar proporcionalmente ao número de alunos com outros tipos de deficiências. Será que a surdez é uma deficiência menos severa que as outras? Será que as escolas se preocupam mais em atender alunos com deficiências motoras? Será que a contratação de professor que saiba LIBRAS é difícil? Enfim, será que o surdo é o mais invisível no meio desse universo de invisibilidade das pessoas com deficiência?

O tempo estava passando e eu tive que deixar minhas dúvidas de lado para ser bem objetivo: falei da necessidade de políticas públicas para que as escolas tenham infraestrutura para oferecer aos surdos educação de qualidade, com profissionais habilitados e meios tecnológicos adequados, falei da falta de conhecimento a respeito do universo do surdo e da necessidade de inclusão dessas pessoas etc. Não sei se o texto ficou bom, mas como vi no comentário que o Jairo Marques publicou na Folha de São Paulo de hoje, “vale pensar que quem exercita a prática de tentar compreender a realidade do outro, tentando entendê-lo e auxiliá-lo, poderá se dar bem não só no ENEM, mas em todos os exames que pretendam abrir portas de oportunidades durante toda a vida” (Link texto Jairo Marques

– João Pedro

A audição de cegos

É fato comprovado. Cegos de nascença têm audição mais apurada (link da pesquisa). A confirmação foi feita por cientistas do Centro de Pesquisas em Neuropsicologia e Cognição da Universidade de Montreal. O estudo foi, inclusive, divulgado na revista Nature. Segundo o psicólogo Pascal Belin, autor principal do estudo, as pessoas cegas julgam melhor a direção da mudança de altura no som, mesmo quando a velocidade de variação é dez vezes maior do que a captada pelos indivíduos que enxergam. Mas isso só ocorre se elas nasceram ou se tornaram cegas com menos de dois anos de idade.

É o caso de Stevie Wonder que, devido ao nascimento prematuro, desenvolveu retinopatia da prematuridade, doença caracterizada pelo crescimento desorganizado dos vasos sanguíneos que suprem a retina (camada mais interna do globo dos olhos) do bebê. Esses vasos podem sangrar e, em casos mais sérios, a retina pode descolar e ocasionar a perda da visão da criança, como na situação do cantor.

Outro cantor cego, mas que somente se tornou cego aos sete anos de idade, segundo as biografias, é o Ray Charles. Ele afirmava não saber a real causa de sua cegueira, mas exitem fontes que sugerem um quadro de glaucoma. Apesar de Ray Charles não se enquadrar no estudo da Universidade de Montreal, pois se tornou cego após os dois anos de idade, a sua audição, sem dúvida, era muito mais apurada do que o normal. Basta conferir no filme Ray, de 2004, protagonizado por Jamie Foxx. Ou então ouvir algumas de suas músicas. Abaixo minhas preferidas:

 

– João Pedro

O medo do desconhecido

Durante o ano, nas aulas de História, nossa professora, a Teresa, relacionou diversos fatos que aprendemos ao medo do deconhecido presente na sociedade contemporânea.

Vivemos em um mundo individualista, baseado, muitas vezes, em relações utilitárias, nas quais o importante é o benefício que alguém pode te trazer. Nesse contexto, caminhamos pelas ruas com fones de ouvidos, dirigimos carros individuais e estamos pouco abertos ao outro. É claro que, ainda mais em uma cidade como São Paulo, não devemos confiar em todo mundo, pois, infelizmente, há insegurança.

http://www.frasesparaoface.com/substitua-o-medo-do-desconhecido/

Porém, isso não nos dá motivo para chegarmos ao extremo que atingimos, no qual evitamos, cotidianamente, até mesmo um bom dia ou um olhar simpático na rua. Numa sociedade assim, você já parou para pensar como as pessoas com deficiência visual lidam com esse medo do desconhecido?

Pela nossa experiência adquirida durante o trabalho nesse blog, percebemos que é comum que pessoas cegas precisem de ajuda para, por exemplo, atravessar a rua, uma vez que a cidade de São Paulo ainda deixa muito a desejar em termos de acessibilidade. Nessa situação, os cegos confiam sua segurança na pessoa que lhes ajuda e precisam ter auto confiança suficiente para conseguir aceitar ajuda de um estranho, o que não deve ser fácil.

http://distantedodesistir.blogspot.com.br/2014/08/conhecer-o-desconhecido.html?m=1

Sabendo disso, percebemos que é fácil reclamar que a cidade precisa ser mais acessível. Porém, todos nós precisamos ser mais inclusivos. Com as pessoas com deficiência, claro, mas também com qualquer um. Precisamos deixar de lado o medo do desconhecido, sem comprometer nossa segurança, se quisermos viver em uma sociedade inclusiva. Caso contrário, podemos simplesmente viver isoladamente, sem consideração alguma pelo outro, destino que, se continuarmos assim, atingiremos logo logo.

https://kdfrases.com/frase/127845

Be my eyes

Oi gente! Vim aqui falar sobre o aplicativo Be my eyes. Através dele, você consegue ajudar pessoas com deficiência visual em tarefas do dia a dia. Você pode se cadastrar no idioma de sua preferência, o qual será necessário para que você converse com a pessoa que precisa de sua ajuda. O aplicativo te envia uma notificação, quando alguém cego pede ajuda, e basta clicar nela que o app abre e te coloca em uma videoconferência com quem você está prestes a ajudar.

Resultado de imagem para be my eyeshttp://www.5kmiles.com.br/single-post/2017/06/12/be-my-eyes-seja-os-olhos-de-alguem

 Uma vez que muitas pessoas se inscreveram no Be my eyes, é  raro ser chamad@ para ajudar. Porém, eu tive a sorte de ser. Na minha experiência, uma mulher me pediu ajuda para ler o preço de uma etiqueta em uma loja, 39,99 reais. Eu simplesmente abri a notificação, cumprimentei a moça e li o número para ela, mas eu fiquei muito feliz  e entusiasmada com isso. Uma amiga minha, que também foi chamada, precisou indicar a posição da escova de dente para uma outra mulher.

 Portanto, acho que a ideia desse aplicativo é muito interessante e o recomendo a quem tenha vontade de ajudar outras pessoas.

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Giovana

A educação inclusiva

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É impossível negar que a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente escolar sempre foi, ao longo da história, um grande desafio para o país. Entretanto, de acordo com os dados do Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, os 114.834 estudantes com deficiência nas escolas comuns brasileiras subiram para 750.983 entre os anos de 2005 e 2015. Esse avanço na inclusão escolar pode ser interpretado como uma consequência tanto da implementação de políticas públicas inclusivas quanto de iniciativas sem fins lucrativos.

A principal lei inclusiva contemporânea refere-se ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado e atualizado em 2015, que confere a regulamentação dos direitos da pessoa com deficiência à educação. O artigo 27, primeiramente, declara que a educação é um direito a essas pessoas e que, nesse sentido, deve ser assegurado.

“a educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”.

Em seguida, o artigo 28 apresenta as obrigações que o poder público deve cumprir.

“Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:
I – sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;
II – aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;
III – projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; (…)

X – adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado;
XI – formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio;
XII – oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação;
(…)
XV – acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar;
XVI – acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino;
(…)

Além das políticas públicas, as iniciativas de organizações comprometidas com a causa da inclusão são essenciais para o seu avanço. O Instituto Rodrigo Mendes (IRM), por exemplo, é uma organização fundada em 1994 pelo seu idealizador, Rodrigo Mendes, com o objetivo de garantir uma educação de qualidade na escola comum às pessoas com deficiência. Em 2010, criou o projeto DIVERSA, iniciativa em parceria com o Ministério da Educação que apoia a rede de ensino no atendimento de alunos com alguma deficiência e fomenta práticas de educação inclusiva. Visando isso, investem na criação de uma plataforma web, o Portal Diversa, que apresenta conteúdos sobre essa educação, investem em encontros com educadores de escolas comuns, a Diversa Presencial, e na chamada Comunidade Diversa, rede que promove discussões coletivas.

Apesar de observarmos um progresso em relação à inclusão de estudantes com deficiência nos ambientes escolares comuns, ainda existem dificuldades para que ela ocorra plenamente. A falta de infraestrutura das escolas e o desconhecimento sobre as deficiências, por exemplo, são algumas das principais barreiras para a inclusão. Nesse sentido, para que o número de alunos com deficiência nas escolas comuns continue aumentando, é necessário que haja, além de infraestruturas que colaborem com a acessibilidade, uma mudança na mentalidade das pessoas em relação à causa da inclusão.

– Lorena

Ensaio sobre a cegueira

O romance Ensaio Sobre a Cegueira, escrito por José Saramago, em 1995, trata de uma epidemia de cegueira que atinge, subitamente, uma cidade. Isso provoca um caos, uma vez que a cegueira era contagiosa e, por isso, decide-se isolar aqueles que a contraíram para que sobrevivam à própria sorte. É interessante ressaltar que as personagens do livro não recebem nomes, mas são identificadas através de características.

Ainda não tive a oportunidade de ler tal obra, mas estou muito curiosa e já a coloquei na minha lista para o mês de dezembro! Porém, mesmo assim, já lhes recomendo a leitura, uma vez que todos que a leram elogiaram-na e, claro, foi escrita pelo único escritor da língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

Segue aqui um comentário de Saramago sobre a obra: “Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é necessário termos coragem para o reconhecer”.

http://www.vogaisecompanhia.pt/ensaio-sobre-a-cegueira/

Além disso, foi feito um filme baseado no enredo de Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e com um ótimo elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, entre outros.

Tampouco assiti ao filme, pois quero ler a obra primeiro, mas acredito que valha a pena! Segue abaixo o trailer:

Cuerdas

desventuras_0387_(cuerdas)_02Faz um tempinho, vi esse curta-metragem circulando por ai. Claro que, na hora, me veio na cabeça que eu precisava recomendá-lo, mesmo sabendo que grande parte de vocês já deveriam ter ouvido falar do vídeo. “Cuerdas” (ou “Cordas”, como preferir) é uma animação espanhola vencedora do Prêmio Goya 2014. Dirigida por Pedro Solís García, o curta baseia-se na relação entre os filhos do diretor, um deles com deficiência.

A história inicia-se com a chegada de Nicolás, um menino com paralisia cerebral, no orfanato. O novo colega de classe desperta em Maria um interesse imenso de aproximar-se. Ao longo do curta, a menina vivaz e simpática busca diversas formas de interação com o amigo e consegue, assim, estabelecer uma amizade única entre os dois. Retratando a relação de altos e baixos entre as duas crianças, o curta revela uma história baseada em valores como esperança e amizade.

Infelizmente, não consegui postar a animação inteira (clique aqui para vê-la), mas coloquei o trailer aqui embaixo para os mais curiosos.

– Lorena

Quebrando Preconceitos

Um recado muito importante às pessoas que pensam que um surdo é incapaz de ter uma vida sem barreiras e acessível na cidade é expressado através da voz de um homem surdo, provando que o sentimento de dó por parte da população é resultado de uma falta de convívio, já que em uma cidade com infraestruturas e com pessoas adaptadas à diversidades, um surdo não teria mais barreiras do que o resto da população pelo fato de terem nascido ou se tornado surdo.

Por favor, vejam ao vídeo do canal no Youtube de Drauzio Varella:

É apresentado no vídeo que esse homem fez diversos tipos de dança e até cursos de DJ, algo que faz com que muitas pessoas estabeleçam o seguinte diálogo com ele: “Nossa ele é tão lindo, que pena que é surdo” ” Nossa você nem parece surdo”

Tais falas reafirmam o estereótipo de surdo como uma pessoa incapaz, mas como já dito, essa incapacidade para algumas tarefas cotidianas é culpa da sociedade que não os inclui de forma completa (porém não se pode pensar nas pessoas com deficiência auditiva como dependentes, pois conseguem estabelecer suas vidas por conta própria). Mas é óbvio que esse estereótipo está caindo em desuso, já que cada vez mais nossa sociedade se torna mais inclusiva, um exemplo claro disso é o personagem do vídeo apresentando.

 

 

 

 

Autoavaliação

Já com o mini documentário pronto, estamos nos aproximando cada vez mais do fim do Móbile na Metrópole. Por isso, foi pedido que fizéssemos uma avaliação geral relativa a todo o percurso desse projeto!

No começo do ano, como já falamos aqui inúmeras vezes, nosso grupo parecia aleatório e nos conhecíamos pouco. Porém, em meio a tanto convívio, conseguimos formar um grupo muito bom! Nós quatro trabalhamos de forma equilibrada durante todo o percurso, dividindo igualmente o trabalho.

Como somos mais tímidos e indecisos, sempre discutíamos muito o que fazer, sem que alguém impusesse sua vontade. Além disso, fizemos todas as etapas do trabalho em conjunto: desde posts obrigatórios feitos por videoconferências até a edição do mini documentário, o que eu achei extremamente bom!

Enfim, não sabia o que esperar desse grupo quando começamos o projeto, mas fiquei muito satisfeita com o resultado que tivemos tanto de trabalho como de relação!

Giovana

Fazer o mini documentário deu bastante trabalho. Os últimos dias antes da data limite de entrega foram cansativos, mas o resultado foi bem legal.

No início do projeto, não nos conhecíamos bem, tínhamos pouca intimidade, então, era muito difícil dividirmos as tarefas e tomarmos decisões. Além disso, no grupo não há um líder natural, então o gerenciamento sempre foi feito por todos.

Isso de certa forma foi muito bom, pois todos estavam quase sempre presentes nas entrevistas, todos participaram das reuniões e da edição do mini documentário, o que acabou dando um pouco mais de trabalho.

O comprometimento de todos ajudou no desenvolvimento do projeto. Aos poucos criamos um convívio bem bacana, enfim, aprendemos a trabalhar realmente em grupo.

O tema que escolhermos foi se revelando, ao longo do projeto, muito mais interessante do que eu esperava. Após a realização desse projeto, vejo de uma forma muito mais ampla a questão da acessibilidade das pessoas com deficiência na cidade de São Paulo.

– João Pedro

Decidi me separar de meus amigos mais próximos da sala já que nunca, em 5 anos juntos, consegui trabalhar bem com eles , o que me fez entrar nesse grupo, algo de que não me arrependo nem um pouco, ainda mais vendo o belo mini doc que realizamos e pelo qual estamos todos muito orgulhosos.

O começo do projeto não foi algo tão fácil, pois nenhum de nós tomava as decisões do grupo, criando muitas vezes situações em que não saiamos do lugar em discussões e dúvidas, e para dificultar ainda mais não tínhamos muita intimidade, o que fez com que nosso trabalho até junho não fosse dos mais produtivos. Porém no segundo semestre houve mudanças, nosso grupo já havia adquirido certa intimidade o que deixou muita mais fácil trabalhar em conjunto e desfrutar desses momentos o quanto possível. Sinto também que nesse segundo semestre todos nós adquirimos mais vontade de publicar em nosso blog, muito provavelmente por causa da maneiras em que nos relacionamos com nosso tema, depois de ouvir pessoas de todos os tipos e classes, como mara gabrilli ( deputada federal tetraplégica ) e chicão ( pedinte de esmolas que se locomove através de uma cadeira de rodas), criamos uma afinidade com o tema de tal modo que não será a mesma coisa ver um cadeirante ou uma calçada inacessível hoje em dia.

-Gabriel Roque

Acho que era até um consenso que o nosso grupo era o mais X possível. No começo do ano, eu não era nem um pouco próxima da maioria dos integrantes. Isso talvez tenha dificultado o trabalho, porque ficavamos muito indecisos na hora de tomar alguma decisão. E, sinceramente, gastavamos muito tempo para fazer ou decidir qualquer coisa.

Acredito, porém, que o fato de sempre termos feito todos os trabalhos, posts de blogs e entrevistas juntos nos ajudou a construir uma relação muito melhor dentro do grupo. Nesse segundo semestre, principalmente, em que quase todos os finais de semana tinhamos que fazer entrevistas, filmar a cidade ou até mesmo começar a editar o mini-doc, foi mais fácil de criar uma amizade e um bom astral para o grupo.

Não posso negar também que esses últimos dias foram muito estressantes. A edição do vídeo nos custou horas e horas trabalhando em cima de um mini-documentário que demorava a ficar pronto. Mas, quando finalmente ficou, trouxe um alívio imenso. 

Para mim, esse grupo totalmente inesperado conseguiu criar, além de uma relação boa, um projeto final satisfatório.

– Lorena