A Viagem

 

AQUECIMENTO: MIS

Giovana

Oi pessoal! Como comentamos no último post, hoje, 16/05, tivemos uma primeira experiência com os nossos respectivos grupos da viagem, em uma visita ao MIS (Museu da Imagem e do Som). Cada um de nós, escritores desse blog, ficou em um grupo diferente e, por isso, contaremos sobre os dias da viagem em posts separados.

Cheguei à escola logo cedo, como foi combinado, às 7h15, e fui até a sala em que deveria encontrar meu grupo e @ professor@ que nos acompanharia. Conversei um pouco com as pessoas que estavam na mesma sala que eu e, pouco tempo depois, a Lydia, nossa professora de Biologia, entrou, dizendo que nos acompanharia. Tivemos uma breve conversa, como coletivo, para decidir como nos organizaríamos e como iríamos até o MIS. Ficou combinado que iríamos de ônibus até o Museu da Casa Brasileira, na Av. Faria Lima, e, a partir desse ponto, seguiríamos a pé. Foi isso que fizemos.

Assim que chegamos ao MIS, tivemos tempo para comer alguma coisa rapidamente, já que nosso grupo foi o último a chegar, e, logo depois, nos dirigimos ao auditório, no qual assistimos ao documentário francês (R)evoluções invisíveis. O filme tratava sobre a noção de “tempo é dinheiro” que, atualmente, parece mover o mundo, apresentando opiniões de diversas pessoas quanto ao assunto e retratando cidades que tentam viver longe dessa ideia. A edição do documentário me impressionou, pois ele era muito dinâmico e apresentava o tema de forma interessante.

Após o fim do documentário, tivemos uma discussão com nossos professores a respeito deste e, quando esta acabou, fomos embora do museu. Novamente, cada grupo seguiu com seu respectivo professor e, no caso da minha equipe, seguimos um percurso bem parecido com o da ida ao MIS para voltarmos para a escola, dividindo a distância entre ônibus e caminhada. Ao chegar à escola, nos despedimos e fomos para casa, onde, agora, muitos de nós estão postando sobre o dia de hoje ou se preparando para a viagem que, de fato, começa amanhã! Antes que percebam, estarei de volta para atualizar vocês sobre o que está acontecendo no MNM 2017! Por hoje é isso, até mais!

Aqui segue um vídeo meu falando sobre o momento mais marcante do meu dia:

 

Gabriel

Hoje posso afirmar que foi dado o início do Móbile Na Metrópole, projeto de nossa escola que nos incentivou a criar esse blog que trata dos deficientes na cidade de São Paulo, cidade que vamos explorar do dia 16 de maio até o dia 19 de maio.
Nos reunimos com nossos grupos nas salas de aula e nos apresentamos,pois mesmo convivendo juntos praticamente todos os dias, muitos rostos eram um tanto quanto desconhecidos para mim e claro eu também era um rosto desconhecido para algumas pessoas nessa situação, o que me deixou um pouco inseguro em um primeiro momento, mas depois fizemos uma roda de conversa e conheci um pouco melhor algumas dessas pessoas.Em seguida decidimos como chegariamos as MIS (museu de imagem e som), onde vimos um filme chamado (R)evoluções invisíveis, que daqui a pouco será analisado nesse mesmo post. Logo de cara nesse primeiro dia me senti um pouco deslocado de minha realidade, quando o professor responsável por nosso grupo nos explicou que nós mesmos escolheriamos o meio de locomoção na qual chegariamos ao museu, nesses meios estavam incluidos transportes públicos, algo que não estou nada acostumado a usar em meu dia a dia . Fomos de ônibus ao destino e realmente desfrutei da viagem, o que me deixou bem ansioso para os próximos 3 dias em que iremos também escolher como vamos nos locomover, sendo que o transporte público certamente será uma opção!
O filme que vimos é um documentário que faz uma crítica, de forma geral, sobre a dependência humana em arrecadar cada vez mais dinheiro sem nenhum motivo ou explicação plausível. Mesmo esse tema não tendo uma relação direta com o Móbile Na Metrópole, um de nossos professores nos passou a mensagem de que devemos questionar hábitos e realidades e é exatamente o que esperamos fazer em nosso segundo dia de projeto! ​
Segue abaixo um relato da melhor parte deste primeiro dia narrada por mim!Voltarei com mais posts contando sobre nossos dias se aventurando na cidade.

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João Pedro

Muito interessante como uma mudança na rotina pode alterar a nossa percepção do ambiente escolar. Enquanto esperava os colegas se reunirem para nos dirigirmos ao MIS, fiquei observando a movimentação no pátio, bem diferente dos dias normais de aula. Estávamos basicamente nós, do segundo ano. Cada um com uma expectativa diferente em relação ao MNM. Todos, ao que parece, buscando lançar um novo olhar sobre a cidade.

A utilização do ônibus para chegarmos ao MIS foi bastante curiosa. Percebi que nos olhavam com interesse, afinal, nosso grupo de vinte lotou o coletivo. O MIS é muito mais legal do que eu esperava. Curioso como criamos o hábito de visitar museus quando viajamos, mas não frequentamos os da nossa própria cidade. O documentário visto chama-se (R)Evoluções Invisíveis, um pouco lento para o meu gosto.

O que mais gostei nesse primeiro dia foi a caminhada de retorno para a Móbile. Acho muito legal caminhar pela cidade, mas até hoje tenho receio de certas regiões. Acredito que o MNM vai ampliar meus horizontes, literalmente.

Lorena

Acordei atrasada hoje, sem mochila pronta e sem roupa escolhida. Já tava achando que era o dia de dar tudo errado. Por sorte, cheguei a tempo na escola e, quando vi meu grupo esperando na sala 24 pelos professores, estranhei. Não posso dizer que ele está cheio de gente que eu converso bastante, porque não está. Mas, depois de passar uma hora andando na companhia deles pelas ruas de São Paulo, fiquei feliz por estar no grupo 6. Aqui tem um trechinho do dia:

Depois da nossa infinita caminhada chegamos (finalmente) no Museu da Imagem e do Som (MIS). Assistimos ao documentário francês “(R)evoluções Invisíveis” que, didaticamente, era dividido em duas partes.

Na primeira metade, havia uma problematização do sistema em que vivemos. Baseado na lógica do consumo, o mundo está organizado no momento futuro e no tempo econômico. Ou seja, o tempo tornou-se muito dinâmico e mecanizado, utilizado majoritariamente e exclusivamente para gerar capital. E, se não o é, não é considerado um tempo útil. Na segunda metade, são retratadas situações que diferem da lógica do capitalismo.
​Após o fim do documentário, tivemos uma discussão com os nossos professores sobre o tema e compreendi que o objetivo desse aquecimento do MNM seria, ao meu modo de ver, despertar um interesse nos alunos para que estes realmente notassem como nossa cidade funciona.

Voltamos à pé para a escola. Me pareceu que o caminho da volta foi mais curto, apesar de ter sido o mesmo que o da ida. Tivemos até direito de parar na feirinha pra um pastel e uma água de coco.


DIA 1

Giovana

Oi pessoal! Vim aqui falar um pouco sobre o primeiro dia (oficial) da viagem do Móbile na Metrópole… Como os dias que passamos dormindo fora de casa foram super corridos, só consegui escrever esse texto e os dos outros dois dias após voltar à rotina, hoje, 22/05. Enfim, me desculpem pelo atraso, mas aqui vai o resumo do dia 17/05, quarta-feira passada.

Todos nós chegamos à escola bem cedinho, às 6:30 da manhã. Deixamos nossas malas em um ônibus que as levou para o hotel e, logo, nos reunimos no grupo da viagem para partir. Nesse dia, o meu grupo foi acompanhado por nossas professoras de Biologia e Química, respectivamente, a Lydia e a Fernanda, pelo monitor de Filosofia, o Caio, e por uma monitora da empresa de turismo Uggi, a Thais. Assim que todas as pessoas se encontraram, deixamos a escola e caminhamos até o Parque do Ibirapuera, onde fizemos uma breve atividade de meditação e fomos interrompidos por um homem que se interessou por aquilo que estávamos fazendo e, espontaneamente, pediu permissão para propor uma atividade teatral. Ou, pelo menos, era isso que nós, alunos, achávamos, até descobrirmos que este sujeito foi, na verdade, contratado pela escola para propor esses jogos teatrais fingindo ser um desconhecido. Mas, de uma forma ou de outra, foi uma experiência interessante.

Em seguida, saímos do parque e pegamos um ônibus público para ir até o bairro da Liberdade. É importante destacar que todas as escolhas de forma de transporte foram de nós alunos, sem auxílio do celular ou dos professores, podendo consultar apenas pessoas que encontrávamos na rua. Ao chegar na Liberdade, visitamos a Igreja dos Enforcados seguida pela Capela dos Aflitos, sendo que ambas têm uma história relacionada e, na minha opinião, carregam uma energia muito pesada, atrelada ao seu passado e, por isso, valem a visita! Depois disso, nós fomos, a pé, até um mosteiro budista localizado no mesmo bairro, onde tivemos a oportunidade de meditar com um monge do local e saber um pouco mais a respeito do Budismo, o que foi uma experiência magnífica e, com certeza, um dos pontos altos deste dia.

Como já estava perto da hora do almoço, ao sair do mosteiro, nós caminhamos até um restaurante macrobiótico chamado Satori, que fica muito perto da Praça da Liberdade. Lá, comemos uma sopa, um arroz integral e um prato de verduras, legumes e homus, ou seja, uma comida realmente exótica. Apesar de que muitas pessoas não curtiram tanto a escolha do restaurante, eu gostei bastante e, tendo a oportunidade, voltaria lá!

Já alimentados, nós tivemos alguns minutos livres para ir até alguma loja que desejássemos próxima à Praça da Liberdade. Nesse tempo, eu e mais alguns alunos fomos a uma loja de doces e compramos coisas diversas. Em seguida, voltamos ao ponto de encontro para nos juntar aos professores e, feito isso, deixamos o bairro, através de ônibus público, para ir a uma empresa chamada Feminaria, a qual é um espaço de coworking que incentiva o desenvolvimento econômico das mulheres. A princípio, a proposta do local nos pareceu interessante, porém, após a visita e uma discussão com a representante que nos recebeu, estranhamos o fato de que elas não levantam explicitamente a bandeira feminista e percebemos um fim bem lucrativo na Feminaria.

Um pouco decepcionados com a visita ao lugar de coworking feminino, nós pegamos o metrô e fomos até o bairro Bom Retiro para visitar o Centro de Acolhida Especial para Mulheres Trans. Lá, tivemos a oportunidade de conversar com duas mulheres que vivem na casa, a Sheila e a Nicole (mas com a Nicole apenas por alguns minutinhos), com o diretor do local e com a assistente social. Como eu nunca tinha visitado um ambiente parecido, não sabia bem o que esperar e, por isso, não criei muitas expectativas. Mesmo se as tivesse criado, elas teriam sido superadas. Nem sei como lhes dizer o que vivemos lá dentro, só sei que a conversa com a Sheila foi muito pura, verdadeira, interessante e motivadora. Fiquei realmente impressionada com a história de vida dela e a Sheila sempre terá minha grande admiração, o mesmo vale para as outras mulheres da casa e para os organizadores do centro. Essa foi, com toda a certeza, a experiência que mais me marcou no primeiro dia do MNM, sobre a qual falarei um pouco no vídeo abaixo:

 


Saindo do centro, já no começo da noite, pegamos o metrô para ir até nosso hotel, no centro da cidade. Como fomos um dos últimos grupos a chegar no hotel, jantamos rapidamente, fizemos o check-in e logo saímos para ir em uma oficina noturna. Cada aluno escolheu a oficina que faria entre as opções break, parkour e sticker. Sem habilidades artísticas ou radicais, elegi o break. Foi muito divertido aprender a dançar de forma diferente em meio a uma praça cheia de gente no centro da cidade e, como fomos divididos em duas turmas de dança, fizemos uma batalha final sensacional! O ponto alto dessa batalha foi a revelação de habilidades nunca esperadas do João, nosso professor de Estudos Literários. Com o fim da batalha, voltamos ao hotel e fomos direto para os quartos. Assim acabou o primeiro dia do MNM, não deixem de ver o que aconteceu nos outros! Até mais!

Gabriel

Um dia antes do dia 17, mesmo dia que fomos as MIS, confesso que não foi fácil pegar no sono, eu estava literalmente sonhando acordado e nunca tinha feito tal ação com tremenda intensidade. Pensamentos iam e vinham em minha cabeça sem parar, expectativas , dúvidas e certezas. Adomerci tarde,depois da 1 e acordei cedo, antes das 6. Cheguei na escola com muito sono mas não o suficiente para tirar minha empolgação, e por volta das 7 meu grupo saiu da escola e foi em direção ao parque Ibirapuera, onde realizamos um relaxamento e conhecemos o grupo musical barbatuques.  Estávamos sentados em roda quando uma mulher chegou fazendo diversos sons com seu corpo, e ninguém do nosso grupo esperava por isso. O que me deixou bastante contente foi ver que ela não foi motivo de piada para nenhum de nós, respeitamos a mulher sem julga-la e quando ela passou exercício para nós fazermos, todos fizeram sendo que nenhum de nós se transformou em motivo de piada também .Isso definitivamente aumentou minha empolgação para a viagem!

Em seguida nos reunimos e com a missão de ir até o centro, mais especificamente para o edifício Copan, um dos mais importantes predios de São Paulo erguido em 66 e com uma das mais belas vistas de nossa metropóle. Decidimos ir de ônibus, um trajeto curto e confortável, junto de uma caminhada de 10 minutos após a parada do ônibus no ponto. Subimos os 35 andares do edíficio de elevador , graças a Deus.Olhando eu volta tive uma sensação uma estranha porque sempre soube que São Paulo é uma cidade enorme, seja de tamanho ou de quantidade de pessoas. Mas ver São Paulo do alto do Copan foi uma das primeiras vezes que consegui me impressionar com o tamanho da metrópole e ter a mínima noção do quão abrangente e gigantesca ela é. Isso, depois de chegar no hotel, me levou a uma reflexão de como posso ser egoísta pensando na quantidade de pessoas que podem estar vivendo em condições precárias ou pessoas que foram despedidas de empregos que garantem a alimentação da família, enquanto eu costumo reclamar de não poder sair com meus amigos para festas ou coisas bobas do gênero.

Depois dessa experiência fomos almoçar, minha professora, que muito entende de restaurantes em São Paulo, nos sugeriu o Palacete Teresa e seguimos ao conselho. O Palacete Teresa é, além de um restaurante fantástico e histórico já que é tombado pelo património histórico, uma casa de shows! Como fomos em horário de almoço não estavam sendo realizados shows, mas segue a dica para quem quiser ver um bom show e comer uma boa comida, apareça no horário de jantar. Depois de um delicioso almoço nos sentamos com Rubens, o dono do restaurante que contou um pouco de sua percepção de cidade.Rubens nos contou um pouco sobre como devemos nos relacionar com São Paulo , a nossa cidade. Devemos transforma-la e ajusta-la para nossos gostos pra que podemos estabelecer uma boa relação com a mesma! Um exemplo disso é o próprio Palacete Teresa , pois esse por apresentar shows que duram a noite inteira não possui o objetivo de “chutar” o cliente para fora do estabelecimento porque se tem um novo cliente que também está disposto a pagar, algo que incomoda muito alguns paulistanos. Também conversamos com Rubens sobre uso de transportes que não nos privem de ter um contato direto com a cidade, como é o exemplo da bicicleta e do transporte público.

Seguindo o dia, mal acabamos de comer e nossa professora já nos dá mais uma tarefa, chegar ao Preto Café localizado no largo do Arouche. Perguntamos e descobrimos que o largo do Arouche era no centro mesmo, onde estávamos! Por isso escolhemos ir a pé até o local. Com 5 minutos de caminhada encontramos a cafeteria, um lugar pequeno e confortável que possuia um jeito de se relacionar com os clientes muito peculiar, os clientes escolhiam o quanto queriam pagar pelos produtos, isso mesmo O QUANTO QUISESSEM! Sem preço mínimo nem nada, eles apenas deixavam um pote do lado direito do balcão em que voce paga sendo que nínguem checa se o cliente vai pagar ou não e quanto pagou, uma relação totalmente baseada na confiança e uma prova disso era uma tabela que disponibilizavam para os clientes apresentando todos os custos da empresa e a “meta de lucro”( o quanto desejavam ganhar) e pelo incrível que parece não era uma quantia absurda, apenas em torno de 20.000 reais mensais. Depois sentamos e conversamos com Mauricio, um dos donos do lugar, que possuía ideias muito similares as do Rubens. A única diferença é que além de Maurício também ter como objetivo um lugar confortável, onde é possível ficar sem pressa com possibilidade de conversar com os atendentes , ele também queria criar uma relação de confiança e honestidade com sua clientela.
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Depois do papo, fomos as nosso hotel, o que apenas reforça como éramos mesmo turistas na cidade. Jantamos e fomos para uma atividade de parkour! Uma coisa muito diferente das modalidades que costumo praticar e por isso estava muito animado. Fomos para uma praça, cerca de 8:30 da noite, do lado do hotel em que tentei aprender um pouco desse esporte, mas infelizmente não rolou. O que me deixou muito feliz foi a quantidade de pessoas que estavam usando a praça mesmo a noite , eram muitas pessoas e não tivemos nenhuma ameaça de assalto, retomando as ideias de mauricio e rubens sobre como usar de nossa cidade.

João Pedro

Cheguei na escola às 6:30. Como o 1º ano também estava saindo para o Estudo do Meio, a movimentação já era grande nesse horário. Demoramos mais ou menos duas horas para sairmos da Móbile de bicicleta com os guias da empresa Cria Conexões. Fomos pela ciclofaixa da Hélio Pelegrino, em direção à Faria Lima até o Parque do Povo, onde nos encontramos com um dos integrantes da banda Barbatuques, músicos que explora os barulhos produzidos pelo corpo. Fomos até o bike-café Aro 27 e falamos com o proprietário. Almoçamos no restaurante de comida asiática e no de comida árabe, recomendado pela professora Teresa.

Após o almoço fomos até o Beco do Batman ver os grafites. Passamos pelo Estádio do Pacaembu e fomos até a Praça Roosevelt, onde foi proposta uma atividade de meditação. Após isso, o guia Fagner relatou sua experiência pessoal de ex-presidiário. Acho que foi o momento mais marcante do dia. Lançar um novo olhar sob a metrópole é também olhar as pessoas de uma outra forma, acho.

Levamos as bikes até o hotel quando já escurecia. Mas o dia ainda não havia acabado. Fomos até a Rua Marconi conhecer uma ocupação do MMPT (Movimento de Moradia para Todos), onde conversamos com os dirigentes do Movimento e conhecemos o funcionamento da ocupação. Fiquei impressionado com a organização, com as regras bem rigorosas para os moradores. Voltamos para o hotel, jantamos e retornamos à Praça Roosevelt, para as oficinas de Parkour (a que escolhi), Break e Sticker. Reparei certa hostilidade dos frequentadores da Praça com o nosso grupo de 170 alunos da Móbile, mas tudo bem, afinal, modificamos a “paisagem urbana” da Praça mesmo. Retornamos exaustos ao hotel às 23:30.

Como eu já disse, o momento mais marcante do dia, na minha opinião, foi o relato do Fagner. Ele foi criado em um bairro da periferia de São Paulo, apenas pela mãe, sem a presença paterna. A mãe trabalhava o dia inteiro como doméstica e ele tinha como exemplo os bandidos do bairro. Cometeu pequenos furtos na infância/adolescência e foi preso por tráfico de drogas após completar dezoito anos. Foi baleado e ficou seis anos encarcerado. Quando saiu, teve muita dificuldade para conseguir emprego, até que teve a ideia de se tornar guia turístico. Mais tarde, guia turístico de tours de bicicleta, pois sempre teve muita familiaridade com esse meio de transporte. O Fagner propositalmente nos contou sobre sua vida antes de nos despedirmos, pois assim poderíamos conhecê-lo sem preconceitos. Inteligente da parte dele e realmente me deixou muito pensativo a respeito dos julgamentos superficiais que fazemos das pessoas.

Hoje pedalamos por aproximadamente 28 Km. Dia muito longo, muito diferente da minha rotina. Muitas imagens para processar na minha mente. Mas acho que o projeto tinha esse objetivo mesmo, o de dar oportunidade para conhecermos um mundo fora de Moema.

Lorena

Meu primeiro dia de Móbile na Metrópole foi muito especial. O tipo de dia que você quer ficar horas e horas contando sobre ele. Vamos do começo: quando cheguei na escola, fiquei surpresa ao reparar que ainda não tinha tantas pessoas na quadra. Normalmente, sou uma das últimas a chegar. Após a chegada de todos os alunos, nos organizamos nos grupos e, finalmente, nos lançamos nessa experiência que o Estudo do Meio nos proporciona.

Pinheiros é plural. Um dos bairros mais tradicionais e culturais de São Paulo, foi o palco do roteiro 6. Primeiro, pegamos um ônibus para visitar o Aro 27 que, inédito nas regiões da cidade, é um espaço bike café. E o que seria isso? Em poucas palavras, o lugarzinho possui, além de uma oficina, uma cafeteria bem gostosa (o capuccino e o cookie de lá são maravilhosos, recomendo). Conversando com o dono, descobrimos que a ideia é atrair um público, principalmente ciclistas, que buscam um ponto de encontro para tomar café ou consertar sua bike.

Tivemos uma surpresa no Largo da Batata. Fomos interceptados por um membro do grupo Barbatuques. Mas é claro que não sabíamos que era programado. O André, inesperadamente, veio conversar com a gente e perguntou se poderia propor uma atividade que envolvia percussão vocal e corporal.
Não poderia faltar uma visita à House of All. Com o ideal de dar mais o acesso às pessoas do que a posse, o estabelecimento é dividido em quatro houses: House of Bubbles, que propõe um Netflix para roupas, no qual você aluga quantas peças quiser por um valor fixo por mês. House of Learning, que disponibiliza diversos cursos, como aquarela ou tarô. House of Work, que trabalha com o coworking (os mensalistas alugam um espaço de trabalho). E, por fim, a House of Food (minha favorita), na qual há um aluguel de cozinha diário: cada dia há um novo chefe e um novo cardápio.

Depois, fomos ao Instituto Tomie Ohtake para ver a exposição da Yoko Ono “O céu ainda é azul, você sabe”, que convidava a participação e interação do público nas obras experimentais. Na minha criação preferida, Árvore dos Pedidos para o Mundo, você deveria escrever um pedido e pendurá-lo na árvore.

Almoçamos em uma restaurante vegetariano, que devo dizer que tinha uns pratos diferentes e deliciosos. Atravessando a rua, visitamos o Coletivo Digital. O lugar trabalha com softwares de inclusão social com internet acessível a todos. Além disso, fazem exposições bimestralmente, shows, gravações de banda e cursos.

O momento que mais me marcou nesse dia, por incrível que pareça, foi a conversa com o João Galera:


Saímos da casa do artista e fomos em direção ao centro para visitar uma ocupação. Porém, devido a algumas confusões durante o caminho, acabamos chegando atrasados e, infelizmente, não pudemos conhecer o lugar. Mas, acho que foi legal o jeito que todo o grupo se comportou com a situação.

Acredito que já acabados do dia, finalmente fomos para o hotel. Só deu tempo de fazer o check-in e jantar em uns cinco minutinhos, porque tinhamos que estar no saguão do hotel para fazer as oficinas: break, parkour ou sticker. Acabei escolhendo sticker que, no caso, foi demais!

 

DIA 2

Giovana

No segundo dia da viagem, quinta-feira 18/05, acordamos por volta das 7:00 da manhã, ainda exaustos do dia anterior, tomamos um café da manhã rápido no hotel e saímos para explorar a cidade. Fomos acompanhados por nossos professores de Matemática e Biologia, respectivamente, a Lydia e o Márcio, além do monitor de Filosofia, o Caio, e do monitor da Uggi, o Jefferson. Primeiramente, meu grupo visitou a ocupação do Hotel Cambridge, bem próxima ao local em que estávamos hospedados, do lado da Av. Nove de Julho. Diferentemente do que eu esperava de uma ocupação, ela era muito organizada, tanto em forma visual como burocrática. A conversa que tivemos com Gilberto, um dos organizadores do movimento, foi extremamente enriquecedora e abriu ainda mais minha mente para tirar o estereótipo que carregava quanto a esse tipo de moradia. Mesmo sendo a primeira experiência do dia, foi, no final das contas, o momento que mais me marcou, e, por isso, falei um pouco mais dela no vídeo abaixo:


Saindo da ocupação, fomos de metrô até o bairro de Pinheiros, onde começamos visitando as Houses of Work, Food, Learning e Bubbles, espaços para realizar diversas atividades em coletivo, mas com certo custo financeiro. Gostei muito desses locais e recomendo a visita para quem estiver curioso! Logo em seguida, nós fomos, a pé, até uma ONG de tecnologia chamada Coletivo Digital. Apesar de que a proposta me pareceu bem interessante, a forma como um dos responsáveis pelo local a apresentou foi meio monótona, mas, mesmo assim, respeito bastante o trabalho dessa ONG!

Ainda em Pinheiros, paramos para almoçar em um restaurante árabe de kebabs bem gostoso, já que a proposta original deste roteiro seria um vegetariano, mas o macrobiótico do primeiro dia não fez sucesso em nosso grupo. Saindo do almoço, pegamos uma chuvinha leve e fomos caminhando até a casa do artista João Galera, que faz desenhos de casas em São Paulo antes que elas sejam demolidas, onde tivemos uma conversa bem interessante com ele e pudemos ver algumas de suas obras!

Quando estávamos saindo da casa de Galera, uma menina do nosso grupo descobriu que estava uma confusão política no país a respeito do atual presidente Michel Temer possivelmente renunciar. Por isso, resolvemos parar em uma padaria para assistir ao discurso do presidente. Como vocês devem saber, ele não renunciou e nós simplesmente continuamos nosso percurso. Pegamos um ônibus público em Pinheiros e fomos até a Rua Oscar Freire, onde visitamos o espaço Unibes Cultural e ouvimos um pouco sobre o Judaísmo. Apesar de que eu gostaria de saber mais sobre essa religião, a forma como ela nos foi apresentada causou tédio na maior parte do grupo, o que prejudicou a experiência. Saindo de lá, pegamos um metrô até nosso hotel, onde conseguimos tomar um banho e jantar antes de ir para a atividade noturna.

Naquela noite, foi realizado um sarau muito bacana em um local próximo ao hotel, no qual alunos e professores se apresentaram. Eu gostei bastante das músicas tocadas e admirei muito a habilidade de quem as tocou e/ou cantou. Com o fim do sarau, voltamos ao hotel e comemoramos com bolo o aniversário de dois alunos que estavam na viagem, antes de retornarmos aos quartos para dormir. Assim acabou o segundo dia do MNM, não se esqueçam de dar uma olhada em como foi o terceiro! Até lá!

Gabriel

Tomei meu banho, arrumei minha mala com suprimentos básicos, como água, casaco, alimento e capa de chuva. Desci para o restaurante e tive um dos cafés da manhã mais rápidos de toda minha vida, e consegui encontrar meus companheiros no horário certo. Saímos do hotel para visitar uma ocupação existente na rua Marconi, no centro mesmo, preciso admitir que possuía uma opinião contra muito delimitada em minha cabeça sobre as ocupações mesmo sem estuda-los com a cautela adequada e preciso admitir que não estava hábil a mudar de opinião ou ponto de vista. Mauro, sindico do prédio nos recepcionou muito bem e nos explicou um pouco das regras do locas , quebrando minhas ideias de existirem pessoas “vagabundas” na ocupação: eles apenas deixavam morar em tal prédio caso essa estivesse trabalhando, caso contrário o pedido seria negado. Além de que é proibido portar drogas dentro do prédio e os moradores possuem horários de entrada e saída restritos( das 5 da manhã a 12:00 noite). Isso foi um choque para mim,pois era praticamente o oposto do que eu pensava do que era uma ocupação, e mesmo não querendo em um primeiro instante, sai com milhares de pensamentos em mente. Foi feita uma discussão em grupo após a visita que me ajudou um pouco a organizar essas ideias, mesmo sem chegar a uma opinião definitiva sobre a polêmica.Me senti muito mal por ter julgado essas pessoas de tal modo banal, sem ter o mínimo contato com elas. Além de tudo as ocupações não são de modo algum casas confortáveis, temos situações nessa mesma ocupação de 5 pessoas dividindo o mesmo quarto! Isso me pôs pra pensar em situações em que prédios possuem dívidas super atrasadas, com donos que não possuem mais nenhuma intenção com o edifício, e se era tão errado pessoas sem casa e honestas ocuparem o prédio para reservarem seu direito a moradia! Não acho que as ocupações sejam a melhor forma para resolver tal problema, porque não é nada agradável para um proprietário passar por tal situação, mas levando em conta a quantidade de prédio abandonados no centro de São Paulo poderíamos chegar em um meio termo.     ​​

Logo depois, voltamos para o hotel, onde cerca de 20 bikes nos esperavam, já que nosso roteiro era andar de bicicleta pela cidade das 10:30 da manhã até as 6 da tarde, e eu estava muito animado justamente pelas palavras que ouvimos de Rubens e Maurício no dia anterior de se relacionar com a cidade da maneira que quisermos, sendo uma dessas maneiras usar transportes que não nos privem tanto dos acontecimentos da cidade como o carro, e a bicicleta certamente não pode ser considerada um desses, pelo contrário, ela aumenta muito o contato entre a cidade e o ciclista. Fomos pedalando do centro até Pinheiros, cerca de 10 km que completamos em cerca de 1:30, sendo que paramos apenas para almoçar. O restaurante dessa vez foi o Pitico, restaurante árabe com um ambiente muito aberto e agradável com uma comida fantástica, recomendo fortemente. Esse primeiro trecho do nosso dia foi o suficiente para que tirássemos algumas conclusões:

Foi muito rápido e simples de perceber como o paulistano fez da bicicleta uma briga política: pessoas gritando para nosso grupo :” é isso ai , fora temer!” Ou xingamentos como: ” Marxistas safados”.Como o prefeito Fernando Haddad em sua gestão investiu fortemente na bicicleta como um meio de transporte, ao implantar kms e kms de ciclofaixas em São Paulo, e esse possuir ideias de esquerda, começaram a associar que quem anda de bicicleta gosta do Haddad, logo vota no PT, ou seja gosta da Dilma e assim vai… criando uma confusão danada! O paulistano criou uma polêmica completamente infantil pois o fato de eu estar andando de bicicleta não quer dizer que estou fazendo um posicionamento político!

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Depois de enchermos nossas barrigas com comida de ótima qualidade, seguimos passeio em direção a perdizes, passando pelo Allianz Park, estádio do Palmeiras reformado recentemente e dono do prêmio de melhor estádio do mundo por algumas revistas, em minha opinião uma atração que todos temos de conhecer. E por último fomos para a cracôlandia para depois retornarmos ao centro. Quando voltamos ao centro fiquei um pouco incomodado com a seguinte situação: os carros acham que possuem mais direitos de andar na rua do que quem está de bicicleta e isso ficava muito claro em situações em que nosso grupo ocupava praticamente uma faixa inteira da rua e muitos motoristas passavam xingando e buzinando, como se nos estivéssemos atrapalhando-os . Mas o que de fato mais me marcou nesse passeio foi a seguinte situação.

 

João Pedro

Nosso grupo tinha que se encontrar às 8:40 no saguão do hotel. Pegamos metrô na Estação República e fomos até a Estação Armênia. Já conhecia a República porque minha mãe trabalha na Secretaria da Educação, que fica no antigo prédio do Caetano de Campos, o prédio principal da Praça. Da Estação Armênia, vimos o rio Tamanduateí, que corta a cidade. Continuamos de metrô até a Estação Tietê e caminhamos até a Cruzeiro do Sul, para olharmos os grafites. Fomos até o Parque da Juventude, onde funcionava o Complexo Penal do Carandiru. No Museu que lá foi construído, tivemos uma conversa com o ex-presidiário Maurício, que nos contou sua experiência atrás das grades.

Almoçamos em um PF da região. Iríamos em seguida a uma Mesquita, mas fomos informados pelo outro grupo para não irmos, pois eles não foram bem recebidos. Então fomos direto ao Red Bull Station, na Praça da Bandeira, onde funciona um centro de apoio a projetos culturais e a start ups. O prédio é muito interessante. Lá funcionava uma usina elétrica que ficou parada por muitos anos. A Red Bull o comprou e mesmo mantendo a parte externa (que não pode ser alterada pois foi tombada pelo patrimônio histórico), reformou a parte interna de um jeito bem legal.

Voltamos caminhando para o hotel. O clima estava estranho na cidade, pois havia estourado o escândalo da delação da JBS. Jantamos e tivemos um sarau.

Mais uma vez, o momento mais marcante do dia, na minha opinião, veio do relato de um ex-presidiário. Maurício nos contou que era do pavilhão 9 quando houve o massacre e só está vivo por um lance de sorte. Contou que esteve preso várias vezes, por tráfico de drogas e roubos. Assim como o Fagner, também criticou a dificuldade de se ressocializar. Hoje ele dá palestras. Esse relato, dentro daquele clima do museu, me impressionou muito. Afinal, quantos ex-detentos existem em São Paulo? E se o objetivo da prisão é também ressocializar, como o ex-detento poderá voltar para a sociedade se sempre sofrerá preconceito? Dúvidas…

Lorena

Confesso que acordar cedo nesse dia não foi exatamente fácil. Mesmo assim, levantei meio acordada, meio sonâmbula e desci para encontrar o grupo 6. O bairro do dia foi o Bixiga. Fomos a pé até a 13 de Maio, para depois visitar a Casa do Mestre Ananias. O capoeira Minhoca, com todo seu carisma, nos recebeu e nos contou sobre o lugar. Fundado pelo Mestre Ananias, atualmente é uma escola de dança e arte. Ouvimos algumas músicas populares acompanhadas pelo berimbau e, depois de uma apresentação de capoeira, fomos convidados a preparar paçoca no pilão, cantando “Pisa, pisa no carroço da azeitona…” (definitivamente, minha parte favorita). Essa visita nos mostrou que o Bixiga, conhecido por ser um bairro italiano, é também repleto da uma cultura negra, muitas vezes apagada por um embranquecimento da população.

Andando pelas ruas, acabamos entrando na Igreja Nossa Senhora Achiropita e tivemos uma conversa não programada com o padre. Algo que nos chamou a atenção foi uma divergência de opinião entre o capoeira e o padre. O primeiro, acredita que o bairro se chama Bixiga. O segundo, por outro lado, acredita que o nome oficial é Bela Vista, mas que o povo tende a chamar de Bixiga.

Depois, almoçamos em um restaurante peruano. Vale ressaltar que os pratos eram deliciosos e, não estou sendo irônica, eram maiores que eu.

Pegamos o metrô para o Brás. Durante a caminhada para a mesquita que visitamos, prestamos atenção no cotidiano das pessoas na rua e do lugar em si. Cheio de comércio, cheio de barulho, era um lugar muito movimentado e com vida. Chegamos na Mesquita e, pessoalmente, essa parte do dia foi interessante. Eu, assim como todas as meninas do grupo, tive que cobrir a cabeça com um lenço. Tiramos os tênis e sentamos em uma roda, esperando para sermos recebidos. Depois de um tempinho, o sheik e o seu tradutor vieram conversar com a gente. Porém, pelo modo como respondiam às perguntas, ficou claro que não estavam dispostos a ter uma conversa. Os agradecemos e saímos do estabelecimento.

Após essa experiência pouco harmônica, fomos ao Centro de Referência e Defesa da Diversidade, que foi, para mim, o momento mais marcante do dia.

 


Voltamos para o hotel e, nesse dia, tivemos o sarau. E, bom, foi uma noite espetacular, daquelas que você nem consegue expressar em palavras.

DIA 3

Giovana

No terceiro e último dia da viagem, sexta-feira 19/05, amanheceu chovendo. Nosso grupo foi acompanhado pelos professores de Biologia e Matemática, respectivamente, a Lydia e o Márcio, além da monitora de Geografia, a Elis, e a monitora da Uggi, a Thais. Quando saímos do hotel logo cedo, após termos tomado café da manhã e feito o check-out, muitos já estavam de capas de chuva ou guardas-chuva. Cada grupo escolheu que tipo de transporte utilizaria para ir até a vila de trabalhadores Maria Zélia, onde todos assistiriam a uma peça de teatro interativa da companhia Grupo XIX . Como eu disse, estava chovendo e a peça era ao ar livre, então, ela foi substituída por uma conversa com os atores. Acho que tanto o clima chuvoso como o de decepção por não assistir à performance fizeram com que a conversa fosse bem monótona e pouco produtiva.

Porém, nossos professores, sempre com uma carta na manga, propuseram uma atividade muito bacana após o fim da conversa. Eles disseram que naquele último dia de viagem cada grupo poderia escolher um lugar para ir ou voltar como forma de encerramento, sendo que teríamos que fazer um vídeo mostrando nossa escolha e explicando o motivo dela, ou seja, de que forma estava relacionada com o coletivo. Nosso grupo ficou um bom tempo apresentando diversas sugestões, mas nada era decidido. Então, eu me lembrei que, após a conversa com a Sheila na visita ao Centro de Acolhida de Mulheres Trans, uma menina do grupo tinha sugerido, durante uma roda de fechamento do primeiro dia, que nós déssemos à Sheila um equipamento de jardinagem, já que ela estava precisando de um para cuidar do jardim do centro e não tinha dinheiro para comprá-lo. Sabendo da paixão da Sheila pelas plantas e de como isso a ajudou psicologicamente, todos nós aceitamos a proposta da garota na hora. Enfim, eu me lembrei dessa nossa iniciativa e sugeri que fizéssemos isso durante o último dia do MNM e, como a maior parte do grupo concordou, foi isso que fizemos.

Primeiramente, nos dividimos em duas equipes: uma para ir até a Cobasi, comprar as ferramentas de jardinagem e outra para esperar aquela em um restaurante, fazendo uma carta e um desenho para Sheila. Eu escolhi ir comprar o equipamento, então, nós pegamos um ônibus público, fizemos as compras necessárias (além de comprar dois cactos de surpresa para nossa professora Lydia, que nos acompanhou durante os quatro dias de viagem) e nos divertimos muito escolhendo coisas fofas para comprar e correndo para lá e para cá na chuva.

Em seguida, fomos até o restaurante em que combinamos de encontrar o restante do grupo, almoçamos rapidamente enquanto as meninas terminavam a carta e o desenho e logo saímos, de metrô, rumo ao encontro com a Sheila. Foi uma experiência indescritível surpreender a Sheila, ajudá-la em sua vida e conversar mais um pouco com ela e, por isso, este foi o momento mais marcante do meu dia, sobre o qual falei mais no vídeo abaixo:


Saímos da casa com pressa, pois estávamos atrasadas para a atividade de encerramento do Móbile na Metrópole. Pegamos um ônibus direto até o MAC, no Parque do Ibirapuera, onde fizemos uma roda para falar sobre a viagem em grupo (sendo que nossa equipe, que chamamos de AGrupa+Nebó, pois eram 19 meninas para 1 menino, cujo sobrenome é Nebó, era maravilhosa e nos divertimos muito nesses quatro dias). Logo depois, tivemos uma conversa com os professores e com os professores de teatro que se fingiram de desconhecidos no primeiro dia para encerrar a viagem. Com isso, voltamos caminhando até a escola, buscamos nossas malas e nos despedimos, saudosos, do Móbile na Metrópole! Isso é tudo pessoal, espero que vocês tenham conseguido ter uma ideia do que foi essa viagem tão marcante para minha vida! Continuem acompanhando o blog! Até mais!!

Gabriel

Acordei, olhei para o lado, vi o relógio marcando 6:50. Estava confortável no horário pela primeira vez na viagem, motivo para estar contente, mas não estava era nosso último dia na metrópole como um grupo e com roteiros prontos. Apesar disso me levantei, me arrumei , desci para o café , e de repente estava pronto no hall para o último dia. Nossa primeira parada era na vila maria zélia onde iríamos ver uma apresentação de teatro ao ar livre, mas não foi possível devido a chuva. Confesso que nunca me interessei tanto por teatro e coisas do gênero mas por estar aprendendo coisas novas todos os dias nesse projeto, estava até que animado para ver os atores. Ao invés disso ocorreu uma discussão com os atores sobre a ocupação da vila maria zélia, onde nasceu e ocorre as peças do grupo XIX de teatro. Eles nos explicaram que antigamente o local era uma vila de operários que acabou sendo abandonada e eles ocuparam e reformaram o local para fazer como a casa do grupo de teatro que possuem, também contaram sobre o medo que possuem de serem mandados embora pois isso pode ocorrer todo dia.
Almoçamos por um restaurante por kilo perto e como a chuva ainda não tinha parado tivemos de mudar nossa programação, o que me deixou desanimado em um primeiro momento. A ideia inicial de nosso roteiro era nossa professora passar uma tarefa surpresa para o grupo, mas acabou que por causa da chuva o grupo escolheria um local para visitar que represente o que de mais especial ocorreu no projeto antes de voltar para nossa escola. Era unanime entre nós, o grupo, que a melhor parte da viagem tinha sido a interação com as outras pessoas e nós mesmos , e por isso nos surgiu a ideia de realizar uma intervenção urbana no metrô! Compramos papel e escrevemos em um deles ” quer ouvir uma piada?” E em outro” conte-nos sua história” Saímos da vila maria Zélia e de ônibus fomos até a estação Belém realizar a intervenção.


Nosso objetivo principal com essa proposta era mais uma vez transformar a cidade para um jeito que desejamos, e o fato de não termos tempo nem para conversar com os outros no metrô é algo que certamente incomodou meu grupo. No fim do dia me senti muito bem pois um dia de quase perdido ,se transformou em um dia que vou lem levar comigo para o resto de minha vida, e a prova disso é que a atividade supresa que minha professora ia propor era justamente: realizar uma intervenção urbana…

João Pedro

Último dia do Projeto. Alívio? Não sei. O último dia amanheceu com chuva. Fomos de metrô até a Vila Maria Zélia, uma vila operária perto do Brás que completou 100 anos recentemente. Era para termos uma apresentação de teatro ao ar livre, mas com a chuva apenas os diretores da peça vieram conversar com a gente.

Em seguida, nós do grupo escolhemos um passeio pelo bairro da Liberdade para visitarmos um mosteiro budista. Mas a visita não foi autorizada porque não tínhamos reserva. No final, fomos a um centro espírita, onde fiquei bastante surpreso. Mais abaixo explicarei o motivo.

O almoço foi em um restaurante chinês. Após o centro espírita fomos de ônibus ao MAC, perto do Ibirapuera, onde tivemos o encerramento do projeto, com o grupo de 20 e depois com todos os alunos. Voltamos para a Móbile caminhando pelo Parque do Ibirapuera, onde apesar de tudo ser tão familiar para mim, tudo parecia tão diferente.

Agora vou explicar porque o centro espírita me impressionou e foi o momento que mais me marcou nesse último dia. Sou ateu e não acredito em nada. O centro espírita não me pareceu religioso e sim um lugar em que as pessoas são assistidas, sem pressão para adotarem a religião. Lá existe um lugar para auxiliar dependentes químicos, creche e auxílio a grávidas, mesmo que nenhum deles seja espírita. Pareceu um lugar muito organizado e do bem. Isso me fez entender melhor meu bisavô de 95 anos, avô do meu pai, dirigente de uma entidade espírita. Ele nunca tentou convencer ninguém de que a religião dele era melhor, só aparece para as pessoas de bom humor e deseja sempre boa sorte para todo mundo. É mais um na metrópole. Um cara legal que com certeza se interessaria pela vida dos ex-presidiários. Vou contar a ele sobre a vida desses caras que eu conheci.

Lorena

Infelizmente, chegou o último dia do MNM. Dia nublado e chuvoso, até parecia que era um dia de despedida mesmo. Todos os grupos foram à Vila Operária Maria Zélia , no bairro do Belém, para assistir à peça Hygiene. Porém, devido ao imprevisto da chuva, não foi possível realizar o espetáculo, que é feito na rua. Assim, o Grupo XIX de Teatro decidiu contar um pouquinho sobre eles e sobre a Vila Operária.

Por conta do tempo nublado, todo o segundo ano teve que ficar esperando por uma decisão do que iríamos fazer no resto do dia. Os professores, então, propuseram o seguinte: cada grupo escolheria o que iria fazer e gravaria um vídeo de um minuto sobre o dia. Devo admitir que nosso grupo não entendeu muito bem o propósito da atividade. Enquanto os outros roteiros fizeram intervenções super legais na nossa cidade, escolhemos um passeio que não ajudou muito para a construção do video. No final, acabou se tornando um video sobre o nosso grupo durante o MNM e não exatamente sobre o dia. E o que o nós fizemos? Decidimos almoçar numa hamburgueria na paulista para, depois, visitar a Japan House. Chegando lá, descobrimos que o lugar, apesar de ser lindo, não tinha nada a ver. A consequência disso foi que todo mundo se reuniu e se sentou num cantinho para, ao invés de ver a exposição, editar o video. Sendo bem sincera, achei icônica essa parte do dia. Imagine um grupo de adolescentes sentados no chão da Japan House, todos em roda, tentando falar o mais baixo possível e falhando inevitavelmente. Claro que atraímos diversos olhares furiosos.

Estourando nosso tempo limite, saímos apressados, ainda terminando de fazer o vídeo, para pegar o ônibus para o MAC (Museu de Arte Contemporânea). Lá, fizemos o fechamento que, sem dizer mais nada, foi incrível. No meu grupo, todos falaram das impressões finais do MNM. O fechamento de todo o ano, com a apresentação dos Barbatuques, me fez ficar com aquela sensação de querer mais. Aquela sensação de frio na barriga, porque você ainda não quer que acabe. Aquela sensação de que os últimos dias foram muito mais que especiais. A volta pra Móbile foi, sem sombra de dúvida, o meu momento favorito do dia.​

 

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