A genialidade de Beethoven

Primeiro de tudo, e mais importante: assista ao vídeo, nem que seja por apenas um minutinho.

“Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante”, referiu-se o romântico Johannes Brahms à Nona Sinfonia. Sim, estamos falando de Beethoven. O compositor alemão, como um dos mais influentes da música clássica, é também reconhecido como personagem de grande importância durante a transição do Classicismo para o Romantismo. Ao longo se sua vida, os estilos de música do gênio variaram, seguindo os seus períodos de altos e baixos.

Suas obras costumam ser divididas pelos estudiosos em três fases. A primeira iniciou-se em 1792, quando Beethoven se mudou para Viena e, já famoso por ser um ótimo pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as três sonatas para piano Op.2. Foi no ano de 1796,  quando o compositor começou a queixar-se de zumbidos, que os primeiros sinais de surdez surgiram. Porém, apenas em 1801, ano que marca o início de sua segunda fase,  documentou evidências de que estaria ficando surdo. Essa fase é marcada por uma crise e desespero sobre a situação. É nela em que Beethoven escreve o “Testamento de Heilingenstadt”.

“Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!”

Para o compositor clássico, o suicídio era um pensamento recorrente como forma de fuga em relação à surdez e a dificuldade que teria em compor. Entretanto, deixou de lado a ideia, pois começou a encarar a música como sua missão de vida.

“Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim.”

Em 1806, Ludwig van Beethoven finalmente revelou a deficiência nos esboços do Quarteto Número 9: “Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!”. Os especialistas explicam que, apesar de progressivamente ter problemas de audição, o artista tinha memória auditiva para compôr suas músicas.

É nesse sentido que, segundo o filósofo existencialista Sartre, “O homem nada é além do que ele se faz”. Podemos, então, nos tornar aquilo que escolhermos fazer de nós mesmos. Em outras palavras, Devemos definir a nós mesmos por meio de nossas escolhas. O compositor, apesar da descoberta da deficiência, escolheu continuar a escrever e tocar porque, afinal, a música era sua paixão e, sobretudo, o que o definia. A perda gradual da audição, apesar de no começo ter sido causa de uma crise criativa, não representou um empecilho, posteriormente, para a escrita de músicas que são consideradas, atualmente, obras-primas.

A fase final de seu trabalho refere-se ao período entre 1814 e 1827, ano de sua morte. Foi nesse meio tempo que, marcado por composições com notas altas, Beethoven e o seu vigor renovado, criaram as suas maiores obras. A maior delas é a Nona Sinfonia, a mais reconhecida e que foi apresentada, pela primeira vez, em 1824. Alguns contam que o gênio musical continuou a sinfonia mesmo depois de ela ter acabado, sem ouvir os aplausos atrás.

– Lorena

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