Encerramento: Lorena

Pediram pra escrever um post de encerramento. Por mim tudo bem. Nenhum problema! Engano meu. Estou sentada olhando pro computador faz tanto tempo que minhas pernas já estão doendo. Tudo em vão, o que escrevi até agora é o que chamam de mais clichê na literatura: escrever sobre a falta de assunto. No meu caso, sobre a falta das reflexões que já deveriam estar preenchendo esse texto.

“Post de encerramento do blog (post individual), colocando os questionamentos e reflexões sobre o tema dentro da cidade de SP”

Foi o que eu escrevi no meu celular, com a finalidade específica de não me esquecer desse post. Bom, esquecer não esqueci. A parte de colocar os meus questionamentos sobre o tema, já é outra história. Deveria ser fácil, certo? Estou estudando o dito tema desde o começo do ano. Em tese, deveria ter uma enxurrada de ideias para colocar aqui. Talvez esse seja o problema: não conseguir colocar tudo o que eu tenho que falar em apenas um post. Ou não conseguir pensar em um ponto de partida.

Vejamos do começo, então. Em meados de março, quando primeito tive contato com o tema escolhido do nosso projeto, não me envolvi tanto (sendo o mais sincera possível). Quer dizer, a realidade das pessoas com deficiência não me despertou um interesse repentino, principalmente porque não está atrelada à minha realidade.

Deve ter sido durante as entrevistas que realmente me apeguei a esse tema. Ouvir os entrevistados falando sobre a vida deles, quais eram os desafios rotineiros que enfrentavam na nossa cidade, me aproximou do que de fato era o nosso MNM. E porque? Talvez porque nunca tinha ouvido alguém falar sobre o assunto.

Você, leitor, também nunca deve ter pensado em como funciona a vida de uma pessoa com deficiência. Então decidi compartilhar uma história que a Gisele, bailarina da Associação Fernanda Bianchini, nos contou. Começa com ela caminhando na rua. Ela para no farol e espera. Uma mulher se aproxima e lhe pergunta se precisa de ajuda para atravessar e, como toda ajuda é bem-vinda, ela dá a mão para a desconhecida. Elas colocam os pés na rua. Na metade do percurso, o farol abre, a mulher solta a mão e sai correndo para o outro lado. E ela fica ali, sem saber o que fazer, com os carros e as buzinas avançando.

É claro que a acessibilidade de SP peca na qualidade. As calçadas parecendo campo de batalha, as escadarias infinitas, e por ai vai. Mas a gente também peca. Às vezes temos que parar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o que acontece em nossa volta. Pensar no outro, que está ali, e a gente nem percebe. É o que chamamos de inclusão: o ato de incluir e acrescentar. Socialmente, o ato de igualdade entre os diferentes indivíduos. E é nisso, sobretudo, que devemos investir.

O projeto está no fim e, bem, não posso falar que foi tudo mil maravilhas. Tiveram momentos em que o cansaço, o estresse e o desapontamento me consumiam tanto que não conseguia nem ouvir “MNM”. Outros momentos, em contramão, são daqueles de querer guardar numa caixinha e nunca esquecer. Mas a memória, querendo ou não, às vezes falha e essas lembranças vão ficando cada vez mais para trás, assim como o projeto. Às inteções verdadeiras dos criadores e percussores disso tudo, tenho que agradecer. Me fizeram olhar o mundo de um jeito, mesmo que um pouco, diferente.

– Lorena

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Encerramento: Giovana

Chegou ao fim esse projeto tão longo, cansativo e, ao mesmo tempo, empolgante, que foi o Móbile na Metrópole.

No começo do ano, quando decidimos falar sobre a realidade das pessoas com deficiência em São Paulo, sabíamos pouquíssimo a respeito desse tema. Ao longo de nossas pesquisas, comecei a me interessar muito pelo trabalho.

Foi diferente de tudo que já havíamos feito na escola. Nosso tema, também. Começamos a pesquisar do zero, fomos nos envolvendo aos poucos com essa realidade.

As entrevistas me marcaram muito. Tudo o que nos foi dito ficou na minha cabeça até hoje, ressurgindo em um momento ou outro, e realmente me fez pensar. O envolvimento que tivemos com os entrevistados foi inesperado e magnífico: desde uma deputada federal muito aberta e simpática, até o Chicão que esbanja felicidade, sem deixar de lado a Cia de Ballet de Cegos, onde fizemos uma atividade de interação com as bailarinas que me tocou!

O grupo e o projeto em si também foram ótimos, mas acho que nada teria sido igual com outro tema. Nunca nos cansamos de tratar das pessoas com deficiência, realidade que me intriga até hoje e sei que continuarei procurando saber cada vez mais sobre ela. Até o ENEM nos mostrou que é algo sobre o que devemos falar mais, não é mesmo?

Enfim, acredito que o nosso tema foi ótimo e espero que tenhamos conseguido instigar a curiosidade de mais pessoas sobre essa realidade!

A genialidade de Beethoven

Primeiro de tudo, e mais importante: assista ao vídeo, nem que seja por apenas um minutinho.

“Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante”, referiu-se o romântico Johannes Brahms à Nona Sinfonia. Sim, estamos falando de Beethoven. O compositor alemão, como um dos mais influentes da música clássica, é também reconhecido como personagem de grande importância durante a transição do Classicismo para o Romantismo. Ao longo se sua vida, os estilos de música do gênio variaram, seguindo os seus períodos de altos e baixos.

Suas obras costumam ser divididas pelos estudiosos em três fases. A primeira iniciou-se em 1792, quando Beethoven se mudou para Viena e, já famoso por ser um ótimo pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as três sonatas para piano Op.2. Foi no ano de 1796,  quando o compositor começou a queixar-se de zumbidos, que os primeiros sinais de surdez surgiram. Porém, apenas em 1801, ano que marca o início de sua segunda fase,  documentou evidências de que estaria ficando surdo. Essa fase é marcada por uma crise e desespero sobre a situação. É nela em que Beethoven escreve o “Testamento de Heilingenstadt”.

“Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!”

Para o compositor clássico, o suicídio era um pensamento recorrente como forma de fuga em relação à surdez e a dificuldade que teria em compor. Entretanto, deixou de lado a ideia, pois começou a encarar a música como sua missão de vida.

“Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim.”

Em 1806, Ludwig van Beethoven finalmente revelou a deficiência nos esboços do Quarteto Número 9: “Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!”. Os especialistas explicam que, apesar de progressivamente ter problemas de audição, o artista tinha memória auditiva para compôr suas músicas.

É nesse sentido que, segundo o filósofo existencialista Sartre, “O homem nada é além do que ele se faz”. Podemos, então, nos tornar aquilo que escolhermos fazer de nós mesmos. Em outras palavras, Devemos definir a nós mesmos por meio de nossas escolhas. O compositor, apesar da descoberta da deficiência, escolheu continuar a escrever e tocar porque, afinal, a música era sua paixão e, sobretudo, o que o definia. A perda gradual da audição, apesar de no começo ter sido causa de uma crise criativa, não representou um empecilho, posteriormente, para a escrita de músicas que são consideradas, atualmente, obras-primas.

A fase final de seu trabalho refere-se ao período entre 1814 e 1827, ano de sua morte. Foi nesse meio tempo que, marcado por composições com notas altas, Beethoven e o seu vigor renovado, criaram as suas maiores obras. A maior delas é a Nona Sinfonia, a mais reconhecida e que foi apresentada, pela primeira vez, em 1824. Alguns contam que o gênio musical continuou a sinfonia mesmo depois de ela ter acabado, sem ouvir os aplausos atrás.

– Lorena

AINDA SOBRE O ENEM

Pois é. A dificuldade que eu tive na redação do ENEM não foi só minha. A folha publicou em 07/11/2017 que “Redação do ENEM provocou alunos com tema ignorado até pelo governo” (Link folha). Se nem o Ministério da Educação explica a diminuição de matrículas de surdos apresentada em gráfico na prova, como os candidatos podem justificá-la? E pior, será que as pessoas que vão corrigir a prova têm conhecimento suficiente para avaliar os textos?

Ontem a Folha tentou traçar hipóteses para a diminuição retratada no gráfico apresentado na prova do ENEM (Outro link folha): a diminuição de crianças no Brasil em idade escolar como um todo e a diminuição do número de pessoas que não eram surdas e perdem a audição. Mas todas essas informações são bastante específicas e não acredito que são do conhecimento da grande maioria que presta o ENEM, possibilitando uma redação mais consistente.

Hoje novamente o assunto foi abordado na Folha, agora na sessão de “Tendências e Debates”, onde dois conhecedores do tema responderam à questão: “O respeito aos direitos humanos deve ser critério para avaliar a redação do ENEM?” (Terceiro link folha). Enfim, parece que o assunto ainda vai render muito. De qualquer forma, de tudo isso ainda acho que a razão está com o Jairo Marques, que afirmou, conforme postei em 06/11/2017, que pensar a realidade das pessoas com deficiência não é bom só para que presta o ENEM, mas para a vida.

– João Pedro