ENEM

Estava pensando durante a semana passada em como as pessoas com deficiência motora ou deficiência de sentidos, sejam cegas ou surdas, iriam prestar o ENEM neste ano. E qual não foi a minha surpresa ao ler o tema proposta para a redação: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

Vamos do início. Trabalhamos muito durante o feriado para fazer o “Vídeo Processo”. Domingo, o último dia do feriado prolongado, amanheceu nublado, com uma garoa fina bem desagradável, principalmente para quem teve que esperar a abertura dos portões da Uninove, na Barra Funda, para fazer o ENEM.

A Uninove foi noticiada como o maior local de prova na cidade de São Paulo. E realmente o prédio era enorme. Não vi no meio daquele aglomerado de pessoas cadeirantes ou cegos, mas sei que o prédio contava com instalações para pessoas com necessidades especiais. Além disso, o site do ENEM tinha um vídeo com instruções em LIBRAS.

Quando vi o tema da redação, achei que seria tranquilo, pois afinal estudamos esse assunto durante o ano inteiro. Mas a coisa não foi tão simples assim… Apesar de conhecer as estatísticas de pessoas com deficiência no Brasil, apesar de estar familiarizado com o tema da inclusão das pessoas com deficiência e com a terminologia própria do assunto, fiquei surpreso com o gráfico apresentado nos textos motivadores, segundo o qual o número de pessoas surdas matriculadas na Educação Fundamental, tanto nas classes comuns quanto nas classes especiais, vem diminuindo desde 2012.

Mas a Lorena havia postado em 31/10/2017 que segundo os dados do INEP, órgão ligado ao Ministério da Educação, entre 2005 e 2015 o número de estudantes com deficiência nas escolas comuns brasileiras praticamente sextuplicou, então, qual a razão da diminuição do número de alunos surdos?

Durante a prova de redação, fiquei pensando nas razões do número de alunos surdos não aumentar proporcionalmente ao número de alunos com outros tipos de deficiências. Será que a surdez é uma deficiência menos severa que as outras? Será que as escolas se preocupam mais em atender alunos com deficiências motoras? Será que a contratação de professor que saiba LIBRAS é difícil? Enfim, será que o surdo é o mais invisível no meio desse universo de invisibilidade das pessoas com deficiência?

O tempo estava passando e eu tive que deixar minhas dúvidas de lado para ser bem objetivo: falei da necessidade de políticas públicas para que as escolas tenham infraestrutura para oferecer aos surdos educação de qualidade, com profissionais habilitados e meios tecnológicos adequados, falei da falta de conhecimento a respeito do universo do surdo e da necessidade de inclusão dessas pessoas etc. Não sei se o texto ficou bom, mas como vi no comentário que o Jairo Marques publicou na Folha de São Paulo de hoje, “vale pensar que quem exercita a prática de tentar compreender a realidade do outro, tentando entendê-lo e auxiliá-lo, poderá se dar bem não só no ENEM, mas em todos os exames que pretendam abrir portas de oportunidades durante toda a vida” (Link texto Jairo Marques

– João Pedro

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