A educação inclusiva

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É impossível negar que a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente escolar sempre foi, ao longo da história, um grande desafio para o país. Entretanto, de acordo com os dados do Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, os 114.834 estudantes com deficiência nas escolas comuns brasileiras subiram para 750.983 entre os anos de 2005 e 2015. Esse avanço na inclusão escolar pode ser interpretado como uma consequência tanto da implementação de políticas públicas inclusivas quanto de iniciativas sem fins lucrativos.

A principal lei inclusiva contemporânea refere-se ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado e atualizado em 2015, que confere a regulamentação dos direitos da pessoa com deficiência à educação. O artigo 27, primeiramente, declara que a educação é um direito a essas pessoas e que, nesse sentido, deve ser assegurado.

“a educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”.

Em seguida, o artigo 28 apresenta as obrigações que o poder público deve cumprir.

“Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:
I – sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;
II – aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;
III – projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; (…)

X – adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado;
XI – formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio;
XII – oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação;
(…)
XV – acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar;
XVI – acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino;
(…)

Além das políticas públicas, as iniciativas de organizações comprometidas com a causa da inclusão são essenciais para o seu avanço. O Instituto Rodrigo Mendes (IRM), por exemplo, é uma organização fundada em 1994 pelo seu idealizador, Rodrigo Mendes, com o objetivo de garantir uma educação de qualidade na escola comum às pessoas com deficiência. Em 2010, criou o projeto DIVERSA, iniciativa em parceria com o Ministério da Educação que apoia a rede de ensino no atendimento de alunos com alguma deficiência e fomenta práticas de educação inclusiva. Visando isso, investem na criação de uma plataforma web, o Portal Diversa, que apresenta conteúdos sobre essa educação, investem em encontros com educadores de escolas comuns, a Diversa Presencial, e na chamada Comunidade Diversa, rede que promove discussões coletivas.

Apesar de observarmos um progresso em relação à inclusão de estudantes com deficiência nos ambientes escolares comuns, ainda existem dificuldades para que ela ocorra plenamente. A falta de infraestrutura das escolas e o desconhecimento sobre as deficiências, por exemplo, são algumas das principais barreiras para a inclusão. Nesse sentido, para que o número de alunos com deficiência nas escolas comuns continue aumentando, é necessário que haja, além de infraestruturas que colaborem com a acessibilidade, uma mudança na mentalidade das pessoas em relação à causa da inclusão.

– Lorena

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Ensaio sobre a cegueira

O romance Ensaio Sobre a Cegueira, escrito por José Saramago, em 1995, trata de uma epidemia de cegueira que atinge, subitamente, uma cidade. Isso provoca um caos, uma vez que a cegueira era contagiosa e, por isso, decide-se isolar aqueles que a contraíram para que sobrevivam à própria sorte. É interessante ressaltar que as personagens do livro não recebem nomes, mas são identificadas através de características.

Ainda não tive a oportunidade de ler tal obra, mas estou muito curiosa e já a coloquei na minha lista para o mês de dezembro! Porém, mesmo assim, já lhes recomendo a leitura, uma vez que todos que a leram elogiaram-na e, claro, foi escrita pelo único escritor da língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

Segue aqui um comentário de Saramago sobre a obra: “Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é necessário termos coragem para o reconhecer”.

http://www.vogaisecompanhia.pt/ensaio-sobre-a-cegueira/

Além disso, foi feito um filme baseado no enredo de Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e com um ótimo elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, entre outros.

Tampouco assiti ao filme, pois quero ler a obra primeiro, mas acredito que valha a pena! Segue abaixo o trailer:

Cuerdas

desventuras_0387_(cuerdas)_02Faz um tempinho, vi esse curta-metragem circulando por ai. Claro que, na hora, me veio na cabeça que eu precisava recomendá-lo, mesmo sabendo que grande parte de vocês já deveriam ter ouvido falar do vídeo. “Cuerdas” (ou “Cordas”, como preferir) é uma animação espanhola vencedora do Prêmio Goya 2014. Dirigida por Pedro Solís García, o curta baseia-se na relação entre os filhos do diretor, um deles com deficiência.

A história inicia-se com a chegada de Nicolás, um menino com paralisia cerebral, no orfanato. O novo colega de classe desperta em Maria um interesse imenso de aproximar-se. Ao longo do curta, a menina vivaz e simpática busca diversas formas de interação com o amigo e consegue, assim, estabelecer uma amizade única entre os dois. Retratando a relação de altos e baixos entre as duas crianças, o curta revela uma história baseada em valores como esperança e amizade.

Infelizmente, não consegui postar a animação inteira (clique aqui para vê-la), mas coloquei o trailer aqui embaixo para os mais curiosos.

– Lorena

Quebrando Preconceitos

Um recado muito importante às pessoas que pensam que um surdo é incapaz de ter uma vida sem barreiras e acessível na cidade é expressado através da voz de um homem surdo, provando que o sentimento de dó por parte da população é resultado de uma falta de convívio, já que em uma cidade com infraestruturas e com pessoas adaptadas à diversidades, um surdo não teria mais barreiras do que o resto da população pelo fato de terem nascido ou se tornado surdo.

Por favor, vejam ao vídeo do canal no Youtube de Drauzio Varella:

É apresentado no vídeo que esse homem fez diversos tipos de dança e até cursos de DJ, algo que faz com que muitas pessoas estabeleçam o seguinte diálogo com ele: “Nossa ele é tão lindo, que pena que é surdo” ” Nossa você nem parece surdo”

Tais falas reafirmam o estereótipo de surdo como uma pessoa incapaz, mas como já dito, essa incapacidade para algumas tarefas cotidianas é culpa da sociedade que não os inclui de forma completa (porém não se pode pensar nas pessoas com deficiência auditiva como dependentes, pois conseguem estabelecer suas vidas por conta própria). Mas é óbvio que esse estereótipo está caindo em desuso, já que cada vez mais nossa sociedade se torna mais inclusiva, um exemplo claro disso é o personagem do vídeo apresentando.