Linguagem do mini-doc

A linguagem de um filme, na nossa visão, é o estilo utilizado para transmitir aos espectadores a mensagem desejada. É importante escolher adequadamente a linguagem de um documentário, já que ela é capaz de determinar o entendimento do público sobre o tema apresentado. Em outras palavras, ela deve ser escolhida pensando no direcionamento desejado pelo(s) diretor(es) para o assunto do curta.        Nesse sentido, por acreditarmos que nosso recorte temático precisa ser plenamente compreendido por nossos interlocutores de modo mais objetivo, elegemos uma linguagem mais direta. O que seria isso? Seria um uso mais denso de entrevistas, dados e narrações, sem deixar muito espaço a trechos poéticos que estejam abertos a interpretações. 

Porém, deve-se ter em mente que, como ainda estamos em processo de produção de nosso documentário, não sabemos qual será o resultado exato. De qualquer forma, esperamos atingir nosso objetivo de transmitir com clareza nossa mensagem e fazer um bom filme! 

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Empresas lucram com soluções para pessoas com deficiência

No último domingo, o caderno Mercado, da Folha de São Paulo, publicou matéria sobre empresas que lucram com soluções para pessoas com deficiência (link). De acordo com a matéria, cerca de 24% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência, fazendo com que empreendedores transformam soluções de inclusão social em negócios bastante rentáveis.

Desde 2013, quando foi lançado, o Hand Talk, software que traduz o português oral e escrito para Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), se tornou o 21º aplicativo mais baixado na Google Play. Os sócios da empresa, que tem o mesmo nome do software, não divulgam o faturamento, mas afirmam que houve uma alta de 100% nas vendas no ano passado. A expectativa é que esse aumento se repita em 2017, afinal, o público alvo é constituído pelos quase 10 milhões de surdos do país.

Já a empresa Syonet, que fornece softwares voltados ao atendimento de clientes em concessionárias de veículos, adaptou uma ferramenta para permitir que pessoas com deficiência visual trabalhem como atendentes. O projeto surgiu em parceria com o Instituto Barigui, que desenvolve metodologias e cursos de especialização na área industrial em parceria com o Senai do Paraná.

O software de atendimento possui um comando de voz que informa ao atendente quais são as tarefas a serem executadas, como, por exemplo, para quem ligar, quais as perguntas que precisam ser feitas e como registrar as respostas dos clientes.

Enfim, o desenvolvimento de produtos tecnológicos voltados a soluções de inclusão social pode ser bastante atrativo para investidores, desafiador para pesquisadores e para quem desenvolve os produtos e extremamente útil para os consumidores. Bom para todos.

– João Pedro

“Extraordinário” – o filme

 Oi pessoal! Não sei se vocês estão lembrados, mas, nesse mês de julho, fiz um post sobre o livro Extraordinário, de R. J. Palacio. Então, como eu disse, o livro é muito bom e super recomendo a leitura! Como prova da qualidade do livro, temos o fato de que esse ano, em novembro, será lançado seu filme (dirigido e escrito por Stephen Chbosky)!! Segue abaixo o trailer do filme pra incentivá-los a assistir ao longa e a ler a obra!

 

Chicão 

Sábado, dia 12 de agosto, entrevistamos um dos personagens de nosso mini-documentário: o Chicão, um cadeirante muito simpático que vive de doações recebidas no semáforo. Para isso, nos encontramos com ele na Rua Filadelfo Azevedo com a República do Líbano, local onde ele recebe ajuda. Lá tivemos a oportunidade de conhecer um pouco a rotina do Chicão!

Hoje Chicão não passa diariamente por problemas de acessibilidade em São Paulo, os quais ele mesmo já disse que são muitos na cidade, devido ao carro que conseguiu comprar. Podemos dizer que hoje ele é uma pessoa privilegiada, se pararmos para pensar que muitas dessas pessoas têm de enfrentar transportes públicos e calçadas inacessíveis em praticamente qualquer transporte que realizarem. Mas também não é correto dizer que ele é totalmente incluido em nossa cidade se analisarmos sua profissão, um pedinte.

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Dica: peça de teatro acessível

Oi pessoal! Para quem mora em São Paulo e gosta de ir ao teatro, está em cartaz uma peça acessível! O que isso quer dizer? Quer dizer que a peça tem audiodescrição em todas as sessões e visita tátil no palco antes de começar. Ainda não fui assisti-la, mas achei a ideia muito interessante e, principalmente para as crianças, é um programa divertido!

A peça, dirigida por Carolina Moreyra, leva o nome A Princesinha Medrosa, baseada no livro de Odilon Moraes. O enredo trata sobre uma princesa usando sua autoridade para lidar com seus medos de escuro e da solidão sem perceber que, na verdade, tem medo do próprio medo.

Foto: Felipe S Cohen

Data: aos domingos de 23 de julho a 17 de setembro

Horário: 14h (visita tátil no palco 13:45)

Local: Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579)

Preço: gratuito para crianças até 12 anos; meia = R$17,00; inteira = R$5,00

 

 

 

Documentário “Som dos Sinos”

Na última quinta-feira, 10 de agosto, em nossa escola, tivemos a oportunidade de assistir ao documentário Som dos Sinos, dirigido e produzido por Márcia Mansur e Marina Thomé, com direito a uma conversa com elas após a sessão!

O longa-metragem trata da cultura por trás do badalar dos sinos das igrejas em nove cidades históricas de Minas Gerais: Mariana, São João Del-Rei, Ouro Preto, Catas Altas, Congonhas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes. Recentemente, esses toques dos sinos foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônios históricos, o que incentivou a dupla a realizar o documentário. Além de abordar os diversos sons representativos de acontecimentos como partos, mortes, missas, incêndios e horários sacros, o filme também contém entrevistas com moradores da cidade e, principalmente, com sineiros, aqueles que trabalham badalando os sinos. Não obstante, há cenas em que são apresentados costumes religiosos e festas locais!

Link da imagem

Apesar de, a princípio, tratar de um tema tão distante de nossa realidade sobre o qual não sabíamos praticamente nada, o documentário conseguiu cativar nossa atenção ao mostrar uma cultura típica do nosso país. É importante ressaltar que a imagem do longa-metragem era de alta qualidade, com ângulos de filmagem extremamente peculiares que realmente dão um toque especial!

Através da conversa com as produtoras do Som dos Sinos e da visualização deste, conseguimos perceber que nosso mini documentário pode ter um formato menos rígido e, ainda assim, transmitir a mensagem que desejamos. Também tivemos algumas ideias quanto aos ângulos de filmagem, sons de fundo e diversidade das entrevistas, as quais esperamos conseguir aplicar! Além disso, foi muito incentivador saber que uma produção desta magnitude foi filmada por uma equipe de apenas três integrantes, com uma quantidade de equipamentos reduzida para caber nas torres dos sinos!

Dessa forma, recomendamos o documentário Som dos Sinos, não só pelo seu conteúdo, mas também por sua produção! Para instigar o interesse de vocês nesse filme, segue abaixo o link de seu site e seu trailer:

Site Som dos Sinos

AACD

Nessa sexta-feira, visitamos a Associação de Assistência à Criança Deficiente, instituição privada que trabalha belo bem-estar de pessoas com deficiência física. Sem fins lucrativos, a chamada AACD nasceu, em 1950, com o sonho do especialista em Ortopedia Dr. Renato da Costa Bonfim de criar um centro de reabilitação parecido com as estruturas dos centros que conhecia no exterior. Com o lema “Vida é movimento”, a Associação acredita em uma sociedade que convive com as diferenças de cada um. 

Em nossa visita, tivemos uma palestra com a profissional da instituição. Além de contar um pouquinho sobre o lugar e sobre a pessoa com deficiência, ela nos mostrou um vídeo da maratona televisiva TELETON que ocorre uma vez por ano e tem o objetivo de sensibilizar o país para a causa da inclusão social. Deixei a campanha aqui embaixo para algum curioso que queira assistir ao vídeo (devo dizer que é bem tocante):

A AACD busca continuamente a melhoria dos resultados de seus pacientes e, para isso, depende da contribuição e ajuda da sociedade, seja com doações ou com o voluntariado. Desde sua fundação, a instituição conta com a atuação dos voluntários como agentes fundamentais na inclusão da pessoa com deficiência. Atuando em todas as áreas do local,  oferecem apoio aos profissionais e aos clientes e familiares com ações de recreação e orientação. Durante a visita, pudemos participar de uma oficina cultural com as crianças que esperavam o horário da sua consulta ou tratamento. Com a ajuda de duas voluntárias, fizemos cartões de Dia dos Pais e conversamos com os pacientes.

Para finalizar a ida, visitamos as salas de terapia e outros tratamentos que pretendem, além de melhorar os resultados físicos do paciente, incluí-lo na sociedade por meio de tratamentos com simulações do dia a dia: ensinam a criança a fazer a cama, esquentar um prato no microondas e assim por diante. Sinceramente,  a visita foi essencial para compreendermos como é a vida da pessoa com deficiência e como podemos contribuir para a causa e a inclusão social.

– Lorena

Mara Gabrilli 

Mara Gabrilli é muito simpática e agradável. Mesmo assim confesso que estava bem intimidado ao entrevistá-la. Afinal, não é todo dia que entrevistamos uma deputada federal. A entrevista estava marcada para 15h30min do dia 7 de agosto, uma segunda-feira. Fomos recebidos com mais de meia hora de atraso. Como chegamos ao escritório político dela (na Rua Sete de Abril, quase na Praça da República) com antecedência, ficamos na sala de espera por aproximadamente uma hora.

Foi interessante para observarmos o movimento e as pessoas que trabalham e circulam por ali. Fomos recebidos pela secretária, que é deficiente visual. Também trabalham no escritório um funcionário com Síndrome de Down e outro com Síndrome de Asperger. Discurso associado à prática de inclusão.

É claro que pesquisamos a respeito da Mara antes da entrevista, inclusive para prepararmos as perguntas. Mas na hora as coisas fugiram um pouco do script, pois a entrevistada foi muito espontânea e o curso das perguntas foi se alterando.

Para quem não sabe, em 1994 a Mara sofreu um acidente de carro e ficou tetraplégica, não mais podendo se movimentar do pescoço para baixo. Pelo que pudemos perceber, atualmente ela tem um pouco de movimento na mão e no braço esquerdos, mas apenas isso. Essa limitação não a impediu de ter sido Secretária da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de São Paulo, Vereadora na Câmara Municipal de São Paulo e Deputada Federal pelo PSDB. Biografia completa vocês encontram em http://maragabrilli.com.br/quem-sou-eu/ .

Essa limitação física fez com que ela conhecesse São Paulo através de uma cadeira de rodas e a levou a uma atuação efetiva para melhorar a situação daqueles que têm algum tipo de deficiência. Isso foi esclarecido logo no início da entrevista, quando perguntamos a razão dela ter ingressado na política. Segundo a Mara, são 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Fiquei chocado, mas é verdade! Segundo a Cartilha do Censo 2010 Pessoas com Deficiência, divulgada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em 2012, mais exatamente “45.606.048 de brasileiros, 23,9% da população total, têm algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora e mental ou intelectual” (http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas-com-deficienciareduzido.pdf).

Durante a entrevista fizemos perguntas de praxe relacionadas à mobilidade das pessoas com deficiência nos espaços públicos, aos objetivos do Instituto Mara Gabrilli, às políticas públicas de inclusão etc. Percebi especial satisfação dela ao responder a respeito de sua indicação para representar o Brasil no Comitê da Organização das Nações Unidas responsável por monitorar a implementação da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. Ela também pareceu muito entusiasmada ao falar sobre reabilitação e tecnologia.

Enfim, muito articulada e realizadora essa deputada. Uma mulher que a partir de seu drama pessoal tem conseguido direcionar o olhar da sociedade para uma realidade que ninguém vê, ou procura não ver.

E para finalizar o post, deixo aqui para reflexão o início da Apresentação da Cartilha do Censo 2010 Pessoas com Deficiência: “A deficiência é um tema de direitos humanos e como tal obedece ao princípio de que todo ser humano tem o direito de desfrutar de todas as condições necessárias para o desenvolvimento de seu talentos e aspirações, sem ser submetido a qualquer tipo de discriminação.”

– João Pedro