Móbile Na Metrópole- Gabriel

AQUECIMENTO: MIS

Hoje posso afirmar que foi dado o início do Móbile Na Metrópole, projeto de nossa escola que nos incentivou a criar esse blog que trata dos deficientes na cidade de São Paulo, cidade que vamos explorar do dia 16 de maio até o dia 19 de maio.
Nos reunimos com nossos grupos nas salas de aula e nos apresentamos,pois mesmo convivendo juntos praticamente todos os dias, muitos rostos eram um tanto quanto desconhecidos para mim e claro eu também era um rosto desconhecido para algumas pessoas nessa situação, o que me deixou um pouco inseguro em um primeiro momento, mas depois fizemos uma roda de conversa e conheci um pouco melhor algumas dessas pessoas.Em seguida decidimos como chegariamos as MIS (museu de imagem e som), onde vimos um filme chamado (R)evoluções invisíveis, que daqui a pouco será analisado nesse mesmo post. Logo de cara nesse primeiro dia me senti um pouco deslocado de minha realidade, quando o professor responsável por nosso grupo nos explicou que nós mesmos escolheriamos o meio de locomoção na qual chegariamos ao museu, nesses meios estavam incluidos transportes públicos, algo que não estou nada acostumado a usar em meu dia a dia . Fomos de ônibus ao destino e realmente desfrutei da viagem, o que me deixou bem ansioso para os próximos 3 dias em que iremos também escolher como vamos nos locomover, sendo que o transporte público certamente será uma opção!
O filme que vimos é um documentário que faz uma crítica, de forma geral, sobre a dependência humana em arrecadar cada vez mais dinheiro sem nenhum motivo ou explicação plausível. Mesmo esse tema não tendo uma relação direta com o Móbile Na Metrópole, um de nossos professores nos passou a mensagem de que devemos questionar hábitos e realidades e é exatamente o que esperamos fazer em nosso segundo dia de projeto! 
Voltarei com mais posts contando sobre nossos dias se aventurando na cidade.

Dia 1

Um dia antes do dia 17, mesmo dia que fomos as MIS, confesso que não foi fácil pegar no sono, eu estava literalmente sonhando acordado e nunca tinha feito tal ação com tremenda intensidade. Pensamentos iam e vinham em minha cabeça sem parar, expectativas , dúvidas e certezas. Adomerci tarde,depois da 1 e acordei cedo, antes das 6. Cheguei na escola com muito sono mas não o suficiente para tirar minha empolgação, e por volta das 7 meu grupo saiu da escola e foi em direção ao parque Ibirapuera, onde realizamos um relaxamento e conhecemos o grupo musical barbatuques.  Estávamos sentados em roda quando uma mulher chegou fazendo diversos sons com seu corpo, e ninguém do nosso grupo esperava por isso. O que me deixou bastante contente foi ver que ela não foi motivo de piada para nenhum de nós, respeitamos a mulher sem julga-la e quando ela passou exercício para nós fazermos, todos fizeram sendo que nenhum de nós se transformou em motivo de piada também .Isso definitivamente aumentou minha empolgação para a viagem!

Em seguida nos reunimos e com a missão de ir até o centro, mais especificamente para o edifício Copan, um dos mais importantes predios de São Paulo erguido em 66 e com uma das mais belas vistas de nossa metropóle. Decidimos ir de ônibus, um trajeto curto e confortável, junto de uma caminhada de 10 minutos após a parada do ônibus no ponto. Subimos os 35 andares do edíficio de elevador , graças a Deus.Olhando eu volta tive uma sensação uma estranha porque sempre soube que São Paulo é uma cidade enorme, seja de tamanho ou de quantidade de pessoas. Mas ver São Paulo do alto do Copan foi uma das primeiras vezes que consegui me impressionar com o tamanho da metrópole e ter a mínima noção do quão abrangente e gigantesca ela é. Isso, depois de chegar no hotel, me levou a uma reflexão de como posso ser egoísta pensando na quantidade de pessoas que podem estar vivendo em condições precárias ou pessoas que foram despedidas de empregos que garantem a alimentação da família, enquanto eu costumo reclamar de não poder sair com meus amigos para festas ou coisas bobas do gênero.

Depois dessa experiência fomos almoçar, minha professora, que muito entende de restaurantes em São Paulo, nos sugeriu o Palacete Teresa e seguimos ao conselho. O Palacete Teresa é, além de um restaurante fantástico e histórico já que é tombado pelo património histórico, uma casa de shows! Como fomos em horário de almoço não estavam sendo realizados shows, mas segue a dica para quem quiser ver um bom show e comer uma boa comida, apareça no horário de jantar. Depois de um delicioso almoço nos sentamos com Rubens, o dono do restaurante que contou um pouco de sua percepção de cidade.Rubens nos contou um pouco sobre como devemos nos relacionar com São Paulo , a nossa cidade. Devemos transforma-la e ajusta-la para nossos gostos pra que podemos estabelecer uma boa relação com a mesma! Um exemplo disso é o próprio Palacete Teresa , pois esse por apresentar shows que duram a noite inteira não possui o objetivo de “chutar” o cliente para fora do estabelecimento porque se tem um novo cliente que também está disposto a pagar, algo que incomoda muito alguns paulistanos. Também conversamos com Rubens sobre uso de transportes que não nos privem de ter um contato direto com a cidade, como é o exemplo da bicicleta e do transporte público.

Seguindo o dia, mal acabamos de comer e nossa professora já nos dá mais uma tarefa, chegar ao Preto Café localizado no largo do Arouche. Perguntamos e descobrimos que o largo do Arouche era no centro mesmo, onde estávamos! Por isso escolhemos ir a pé até o local. Com 5 minutos de caminhada encontramos a cafeteria, um lugar pequeno e confortável que possuia um jeito de se relacionar com os clientes muito peculiar, os clientes escolhiam o quanto queriam pagar pelos produtos, isso mesmo O QUANTO QUISESSEM! Sem preço mínimo nem nada, eles apenas deixavam um pote do lado direito do balcão em que voce paga sendo que nínguem checa se o cliente vai pagar ou não e quanto pagou, uma relação totalmente baseada na confiança e uma prova disso era uma tabela que disponibilizavam para os clientes apresentando todos os custos da empresa e a “meta de lucro”( o quanto desejavam ganhar) e pelo incrível que parece não era uma quantia absurda, apenas em torno de 20.000 reais mensais. Depois sentamos e conversamos com Mauricio, um dos donos do lugar, que possuía ideias muito similares as do Rubens. A única diferença é que além de Maurício também ter como objetivo um lugar confortável, onde é possível ficar sem pressa com possibilidade de conversar com os atendentes , ele também queria criar uma relação de confiança e honestidade com sua clientela.

Depois do papo, fomos as nosso hotel, o que apenas reforça como éramos mesmo turistas na cidade. Jantamos e fomos para uma atividade de parkour! Uma coisa muito diferente das modalidades que costumo praticar e por isso estava muito animado. Fomos para uma praça, cerca de 8:30 da noite, do lado do hotel em que tentei aprender um pouco desse esporte, mas infelizmente não rolou. O que me deixou muito feliz foi a quantidade de pessoas que estavam usando a praça mesmo a noite , eram muitas pessoas e não tivemos nenhuma ameaça de assalto, retomando as ideias de mauricio e rubens sobre como usar de nossa cidade.

Dia 2

Tomei meu banho, arrumei minha mala com suprimentos básicos, como água, casaco, alimento e capa de chuva. Desci para o restaurante e tive um dos cafés da manhã mais rápidos de toda minha vida, e consegui encontrar meus companheiros no horário certo. Saímos do hotel para visitar uma ocupação existente na rua Marconi, no centro mesmo, preciso admitir que possuía uma opinião contra muito delimitada em minha cabeça sobre as ocupações mesmo sem estuda-los com a cautela adequada e preciso admitir que não estava hábil a mudar de opinião ou ponto de vista. Mauro, sindico do prédio nos recepcionou muito bem e nos explicou um pouco das regras do locas , quebrando minhas ideias de existirem pessoas “vagabundas” na ocupação: eles apenas deixavam morar em tal prédio caso essa estivesse trabalhando, caso contrário o pedido seria negado. Além de que é proibido portar drogas dentro do prédio e os moradores possuem horários de entrada e saída restritos( das 5 da manhã a 12:00 noite). Isso foi um choque para mim,pois era praticamente o oposto do que eu pensava do que era uma ocupação, e mesmo não querendo em um primeiro instante, sai com milhares de pensamentos em mente. Foi feita uma discussão em grupo após a visita que me ajudou um pouco a organizar essas ideias, mesmo sem chegar a uma opinião definitiva sobre a polêmica.Me senti muito mal por ter julgado essas pessoas de tal modo banal, sem ter o mínimo contato com elas. Além de tudo as ocupações não são de modo algum casas confortáveis, temos situações nessa mesma ocupação de 5 pessoas dividindo o mesmo quarto! Isso me pôs pra pensar em situações em que prédios possuem dívidas super atrasadas, com donos que não possuem mais nenhuma intenção com o edifício, e se era tão errado pessoas sem casa e honestas ocuparem o prédio para reservarem seu direito a moradia! Não acho que as ocupações sejam a melhor forma para resolver tal problema, porque não é nada agradável para um proprietário passar por tal situação, mas levando em conta a quantidade de prédio abandonados no centro de São Paulo poderíamos chegar em um meio termo.

Logo depois, voltamos para o hotel, onde cerca de 20 bikes nos esperavam, já que nosso roteiro era andar de bicicleta pela cidade das 10:30 da manhã até as 6 da tarde, e eu estava muito animado justamente pelas palavras que ouvimos de Rubens e Maurício no dia anterior de se relacionar com a cidade da maneira que quisermos, sendo uma dessas maneiras usar transportes que não nos privem tanto dos acontecimentos da cidade como o carro, e a bicicleta certamente não pode ser considerada um desses, pelo contrário, ela aumenta muito o contato entre a cidade e o ciclista. Fomos pedalando do centro até Pinheiros, cerca de 10 km que completamos em cerca de 1:30, sendo que paramos apenas para almoçar. O restaurante dessa vez foi o Pitico, restaurante árabe com um ambiente muito aberto e agradável com uma comida fantástica, recomendo fortemente. Esse primeiro trecho do nosso dia foi o suficiente para que tirássemos algumas conclusões:

Foi muito rápido e simples de perceber como o paulistano fez da bicicleta uma briga política: pessoas gritando para nosso grupo :” é isso ai , fora temer!” Ou xingamentos como: ” Marxistas safados”.Como o prefeito Fernando Haddad em sua gestão investiu fortemente na bicicleta como um meio de transporte, ao implantar kms e kms de ciclofaixas em São Paulo, e esse possuir ideias de esquerda, começaram a associar que quem anda de bicicleta gosta do Haddad, logo vota no PT, ou seja gosta da Dilma e assim vai… criando uma confusão danada! O paulistano criou uma polêmica completamente infantil pois o fato de eu estar andando de bicicleta não quer dizer que estou fazendo um posicionamento político!
Depois de enchermos nossas barrigas com comida de ótima qualidade, seguimos passeio em direção a perdizes, passando pelo Allianz Park, estádio do Palmeiras reformado recentemente e dono do prêmio de melhor estádio do mundo por algumas revistas, em minha opinião uma atração que todos temos de conhecer. E por último fomos para a cracôlandia para depois retornarmos ao centro. Quando voltamos ao centro fiquei um pouco incomodado com a seguinte situação: os carros acham que possuem mais direitos de andar na rua do que quem está de bicicleta e isso ficava muito claro em situações em que nosso grupo ocupava praticamente uma faixa inteira da rua e muitos motoristas passavam xingando e buzinando, como se nos estivéssemos atrapalhando-os . Mas o que de fato mais me marcou nesse passeio foi a seguinte situação.

Dia 3

Acordei, olhei para o lado, vi o relógio marcando 6:50. Estava confortável no horário pela primeira vez na viagem, motivo para estar contente, mas não estava era nosso último dia na metrópole como um grupo e com roteiros prontos. Apesar disso me levantei, me arrumei , desci para o café , e de repente estava pronto no hall para o último dia. Nossa primeira parada era na vila maria zélia onde iríamos ver uma apresentação de teatro ao ar livre, mas não foi possível devido a chuva. Confesso que nunca me interessei tanto por teatro e coisas do gênero mas por estar aprendendo coisas novas todos os dias nesse projeto, estava até que animado para ver os atores. Ao invés disso ocorreu uma discussão com os atores sobre a ocupação da vila maria zélia, onde nasceu e ocorre as peças do grupo XIX de teatro. Eles nos explicaram que antigamente o local era uma vila de operários que acabou sendo abandonada e eles ocuparam e reformaram o local para fazer como a casa do grupo de teatro que possuem, também contaram sobre o medo que possuem de serem mandados embora pois isso pode ocorrer todo dia.
Almoçamos por um restaurante por kilo perto e como a chuva ainda não tinha parado tivemos de mudar nossa programação, o que me deixou desanimado em um primeiro momento. A ideia inicial de nosso roteiro era nossa professora passar uma tarefa surpresa para o grupo, mas acabou que por causa da chuva o grupo escolheria um local para visitar que represente o que de mais especial ocorreu no projeto antes de voltar para nossa escola. Era unanime entre nós, o grupo, que a melhor parte da viagem tinha sido a interação com as outras pessoas e nós mesmos , e por isso nos surgiu a ideia de realizar uma intervenção urbana no metrô! Compramos papel e escrevemos em um deles ” quer ouvir uma piada?” E em outro” conte-nos sua história” Saímos da vila maria Zélia e de ônibus fomos até a estação Belém realizar a intervenção.
Nosso objetivo principal com essa proposta era mais uma vez transformar a cidade para um jeito que desejamos, e o fato de não termos tempo nem para conversar com os outros no metrô é algo que certamente incomodou meu grupo. No fim do dia me senti muito bem pois um dia de quase perdido ,se transformou em um dia que vou lem levar comigo para o resto de minha vida, e a prova disso é que a atividade supresa que minha professora ia propor era justamente: realizar uma intervenção urbana…

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