Móbile na Metrópole – Lorena

Aquecimento: MIS

Acordei atrasada hoje, sem mochila pronta e sem roupa escolhida. Já tava achando que era o dia de dar tudo errado. Por sorte, cheguei a tempo na escola e, quando vi meu grupo esperando na sala 24 pelos professores, estranhei. Não posso dizer que ele está cheio de gente que eu converso bastante, porque não está. Mas, depois de passar uma hora andando na companhia deles pelas ruas de São Paulo, fiquei feliz por estar no grupo 6. Aqui tem um trechinho do dia:

Depois da nossa infinita caminhada chegamos (finalmente) no Museu da Imagem e do Som (MIS). Assistimos ao documentário francês “(R)evoluções Invisíveis” que, didaticamente, era dividido em duas partes.

Na primeira metade, havia uma problematização do sistema em que vivemos. Baseado na lógica do consumo, o mundo está organizado no momento futuro e no tempo econômico. Ou seja, o tempo tornou-se muito dinâmico e mecanizado, utilizado majoritariamente e exclusivamente para gerar capital. E, se não o é, não é considerado um tempo útil. Na segunda metade, são retratadas situações que diferem da lógica do capitalismo.
​Após o fim do documentário, tivemos uma discussão com os nossos professores sobre o tema e compreendi que o objetivo desse aquecimento do MNM seria, ao meu modo de ver, despertar um interesse nos alunos para que estes realmente notassem como nossa cidade funciona.

Voltamos à pé para a escola. Me pareceu que o caminho da volta foi mais curto, apesar de ter sido o mesmo que o da ida. Tivemos até direito de parar na feirinha para um pastel e uma água de coco.

 

Dia 1

Meu primeiro dia de Móbile na Metrópole foi muito especial. O tipo de dia que você quer ficar horas e horas contando sobre ele. Vamos do começo: quando cheguei na escola, fiquei surpresa ao reparar que ainda não tinha tantas pessoas na quadra. Normalmente, sou uma das últimas a chegar. Após a chegada de todos os alunos, nos organizamos nos grupos e, finalmente, nos lançamos nessa experiência que o Estudo do Meio nos proporciona.

Pinheiros é plural. Um dos bairros mais tradicionais e culturais de São Paulo, foi o palco do roteiro 6. Primeiro, pegamos um ônibus para visitar o Aro 27 que, inédito nas regiões da cidade, é um espaço bike café. E o que seria isso? Em poucas palavras, o lugarzinho possui, além de uma oficina, uma cafeteria bem gostosa (o capuccino e o cookie de lá são maravilhosos, recomendo). Conversando com o dono, descobrimos que a ideia é atrair um público, principalmente ciclistas, que buscam um ponto de encontro para tomar café ou consertar sua bike.

Tivemos uma surpresa no Largo da Batata. Fomos interceptados por um membro do grupo Barbatuques. Mas é claro que não sabíamos que era programado. O André, inesperadamente, veio conversar com a gente e perguntou se poderia propor uma atividade que envolvia percussão vocal e corporal.

Não poderia faltar uma visita à House of All. Com o ideal de dar mais o acesso às pessoas do que a posse, o estabelecimento é dividido em quatro houses: House of Bubbles, que propõe um Netflix para roupas, no qual você aluga quantas peças quiser por um valor fixo por mês. House of Learning, que disponibiliza diversos cursos, como aquarela ou tarô. House of Work, que trabalha com o coworking (os mensalistas alugam um espaço de trabalho). E, por fim, a House of Food (minha favorita), na qual há um aluguel de cozinha diário: cada dia há um novo chefe e um novo cardápio.

Depois, fomos ao Instituto Tomie Ohtake para ver a exposição da Yoko Ono “O céu ainda é azul, você sabe”, que convidava a participação e interação do público nas obras experimentais. Na minha criação preferida, Árvore dos Pedidos para o Mundo, você deveria escrever um pedido e pendurá-lo na árvore.

Almoçamos em uma restaurante vegetariano, que devo dizer que tinha uns pratos diferentes e deliciosos. Atravessando a rua, visitamos o Coletivo Digital. O lugar trabalha com softwares de inclusão social com internet acessível a todos. Além disso, fazem exposições bimestralmente, shows, gravações de banda e cursos.

O momento que mais me marcou nesse dia, por incrível que pareça, foi a conversa com o João Galera:

 

Saímos da casa do artista e fomos em direção ao centro para visitar uma ocupação. Porém, devido a algumas confusões durante o caminho, acabamos chegando atrasados e, infelizmente, não pudemos conhecer o lugar. Mas, acho que foi legal o jeito que todo o grupo se comportou com a situação.

Acredito que já acabados do dia, finalmente fomos para o hotel. Só deu tempo de fazer o check-in e jantar em uns cinco minutinhos (literalmente), porque tinhamos que estar no saguão do hotel para fazer as oficinas: break, parkour ou sticker. Acabei escolhendo sticker que, no caso, foi demais.

Dia 2

Confesso que acordar cedo nesse dia não foi exatamente fácil. Mesmo assim, levantei meio acordada, meio sonâmbula e desci para encontrar o grupo 6. O bairro do dia foi o Bixiga. Fomos a pé até a 13 de Maio, para depois visitar a Casa do Mestre Ananias. O capoeira Minhoca, com todo seu carisma, nos recebeu e nos contou sobre o lugar. Fundado pelo Mestre Ananias, atualmente é uma escola de dança e arte. Ouvimos algumas músicas populares acompanhadas pelo berimbau e, depois de uma apresentação de capoeira, fomos convidados a preparar paçoca no pilão, cantando “Pisa, pisa no carroço da azeitona…” (definitivamente, minha parte favorita). Essa visita nos mostrou que o Bixiga, conhecido por ser um bairro italiano, é também repleto da uma cultura negra, muitas vezes apagada por um embranquecimento da população.

Andando pelas ruas, acabamos entrando na Igreja Nossa Senhora Achiropita e tivemos uma conversa não programada com o padre. Algo que nos chamou a atenção foi uma divergência de opinião entre o capoeira e o padre. O primeiro, acredita que o bairro se chama Bixiga. O segundo, por outro lado, acredita que o nome oficial é Bela Vista, mas que o povo tende a chamar de Bixiga.

Depois, almoçamos em um restaurante peruano. Vale ressaltar que os pratos eram deliciosos e, não estou sendo irônica, eram maiores que eu.

Pegamos o metrô para o Brás. Durante a caminhada para a mesquita que visitamos, prestamos atenção no cotidiano das pessoas na rua e do lugar em si. Cheio de comércio, cheio de barulho, era um lugar muito movimentado e com vida. Chegamos na Mesquita e, pessoalmente, essa parte do dia foi interessante. Eu, assim como todas as meninas do grupo, tive que cobrir a cabeça com um lenço. Tiramos os tênis e sentamos em uma roda, esperando para sermos recebidos. Depois de um tempinho, o sheik e o seu tradutor vieram conversar com a gente. Porém, pelo modo como respondiam às perguntas, ficou claro que não estavam dispostos a ter uma conversa. Os agradecemos e saímos do estabelecimento.

Após essa experiência pouco harmônica, fomos ao Centro de Referência e Defesa da Diversidade, que foi, para mim, o momento mais marcante do dia.

 

Voltamos para o hotel e, nesse dia, tivemos o sarau. E, bom, foi uma noite espetacular, daquelas que você nem consegue expressar em palavras.

Dia 3

Infelizmente, chegou o último dia do MNM. Dia nublado e chuvoso, até parecia que era um dia de despedida mesmo. Todos os grupos foram à Vila Operária Maria Zélia , no bairro do Belém, para assistir à peça Hygiene. Porém, devido ao imprevisto da chuva, não foi possível realizar o espetáculo, que é feito na rua. Assim, o Grupo XIX de Teatro decidiu contar um pouquinho sobre eles e sobre a Vila Operária.

Por conta do tempo nublado, todo o segundo ano teve que ficar esperando por uma decisão do que iríamos fazer no resto do dia. Os professores, então, propuseram o seguinte: cada grupo escolheria o que iria fazer e gravaria um vídeo de um minuto sobre o dia. Devo admitir que nosso grupo não entendeu muito bem o propósito da atividade. Enquanto os outros roteiros fizeram intervenções super legais na nossa cidade, escolhemos um passeio que não ajudou muito para a construção do video. No final, acabou se tornando um video sobre o nosso grupo durante o MNM e não exatamente sobre o dia. E o que o nós fizemos? Decidimos almoçar numa hamburgueria na paulista para, depois, visitar a Japan House. Chegando lá, descobrimos que o lugar, apesar de ser lindo, não tinha nada a ver. A consequência disso foi que todo mundo se reuniu e se sentou num cantinho para, ao invés de ver a exposição, editar o video. Sendo bem sincera, achei icônica essa parte do dia. Imagine um grupo de adolescentes sentados no chão da Japan House, todos em roda, tentando falar o mais baixo possível e falhando inevitavelmente. Claro que atraímos diversos olhares furiosos.

Estourando nosso tempo limite, saímos apressados, ainda terminando de fazer o vídeo, para pegar o ônibus para o MAC (Museu de Arte Contemporânea). Lá, fizemos o fechamento que, sem dizer mais nada, foi incrível. No meu grupo, todos falaram das impressões finais do MNM. O fechamento de todo o ano, com a apresentação dos Barbatuques, me fez ficar com aquela sensação de querer mais. Aquela sensação de frio na barriga, porque você ainda não quer que acabe. Aquela sensação de que os últimos dias foram muito mais que especiais. Ainda com aquela sensação, voltamos do Ibiraquera, a pé, para a escola. A volta para a Móbile foi, sem sombra de dúvida, o meu momento favorito do dia.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s